Título: 'A palavra renúncia não existe'
Autor: Vasconcelos, Adriana e Lima, Maria
Fonte: O Globo, 21/06/2007, O País, p. 3

BRASÍLIA. Pressionado até por aliados, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), descartou a possibilidade de renunciar ao cargo para responder a um processo de cassação. Irritado e abatido, reservadamente Renan fez ameaças ao se referir àqueles que trabalham pelo prosseguimento do processo de cassação.

- Só quem não me conhece. Eu sou um homem de luta. Essa palavra renúncia não existe no meu dicionário. Eu sou presidente do Senado. E não vou estar aquém da necessidade, da dignidade que a Casa precisa - disse, em entrevista.

Ele também negou que houve apelos para que renunciasse:

- Não haverá apelo nenhum porque não há acusação nenhuma. Tudo o que foi levantado foi provado contrariamente. Tudo! Fiz o que precisava ser feito, produzi provas e, na hierarquia das provas, a prova contrária é a mais difícil de se produzir. Minhas vísceras foram abertas. Estou inteiramente à disposição para responder a qualquer outra denúncia. Não cheguei por acaso à presidência do Senado.

Numa sessão em homenagem à TV Bandeirantes, Renan criticou a imprensa:

- Liberdade de imprensa exige equilíbrio, serenidade, ética e responsabilidade. Sem responsabilidade, abre-se espaço para o excesso, para a pirotecnia, tudo isso em desfavor das instituições e a bem do sensacionalismo, mazela que, cada vez mais, é banida dos valores da sociedade. Exercer a liberdade requer consciência coletiva, sob pena de se marchar para a ditadura da opinião preconcebida, que, por ser parcial, segue ao sabor dos ventos, inclusive dos ventos do preconceito, dos ventos dos interesses velados. (G. C. )