Título: Setor público tem superávit de R$60 bi
Autor: Beck, Martha
Fonte: O Globo, 28/06/2007, Economia, p. 27
Em 12 meses, economia está em 4,29% do PIB, acima da meta de 3,8%.
BRASÍLIA. Ainda embalado pelo resultado de abril, o superávit primário do setor público (economia para pagamento de juros) consolidado nos cinco primeiros meses do ano chegou a R$60 bilhões, o que representa 6% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país). No mesmo período do ano passado, o superávit estava em R$46,7 bilhões ou 5,12% do PIB. No acumulado dos últimos 12 meses, o superávit soma R$103,461 bilhões, ou 4,29% do PIB, bem acima da meta do governo, de 3,8% do PIB.
Os números são recordes: o superávit primário de maio - tanto em valores nominais como em proporção do PIB - , de R$9,295 bilhões é o melhor para o mês na série histórica, iniciada em 94, bem como o acumulado nos cinco primeiros meses do ano.
O resultado deste ano foi obtido com superávit de R$38,6 bilhões do governo central (governo federal, Banco Central e INSS), R$14,5 bilhões dos governos estaduais, R$1,7 bilhão das prefeituras e R$5,1 bilhões das estatais.
- O resultado de maio é sempre inferior aos números de abril, mas este foi o melhor maio da série histórica - afirmou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.
Por outro lado, a forte apreciação do real não teve impacto apenas sobre as empresas exportadoras: o pagamento de juros da dívida foi recorde em maio, R$16,747 bilhões. Isso porque entra nesta conta a diferença das operações que o BC faz com contratos de swap cambial, operação em que os produtores fazem para se proteger da variação cambial. Tecnicamente estes contratos não entram na dívida, mas seus resultados entram na conta de juros e neste mês o dólar sofreu uma desvalorização de 5,16%.
Dívida líquida do setor público chegou a R$1,097 tri
No ano, o Brasil já pagou R$67,884 bilhões em juros, o que, descontando o superávit primário, resultou em um déficit nominal de R$7,857 bilhões, o mais baixo para os cinco primeiros meses do ano desde 2001. Em relação ao PIB, o déficit nominal chegou a 2,5%, o maior desde dezembro.
A desvalorização do dólar também elevou a proporção da dívida líquida em relação ao PIB. Isso porque o Brasil hoje possuía em maio cerca de US$130 bilhões em reservas - cotadas em dólar - e elas sofreram o impacto da valorização cambial - e as reservas são descontadas do total da dívida. A dívida líquida do setor público chegou em maio a R$1,097 trilhão (44,7% do PIB), contra R$1,079 trilhão (44,2% do PIB) em abril. Apesar disso, Altamir acredita que a relação dívida/PIB continuará em queda neste ano.