Título: PPI: só 8% dos investimentos foram aplicados
Autor: Beck, Martha
Fonte: O Globo, 28/06/2007, Economia, p. 27

Despesas com pessoal e encargos sociais do governo federal subiram 12% entre janeiro e maio, segundo Tesouro

BRASÍLIA. Apesar de essenciais para o sucesso do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e de não estarem contingenciados, apenas R$990,5 milhões em investimentos do Projeto Piloto de Investimentos (PPI) foram executados até maio, pouco mais de 8% dos R$11,2 bilhões previstos no seu orçamento deste ano. Já as despesas com pessoal e encargos sociais mantiveram o ritmo de crescimento, subindo 12% entre janeiro e maio de 2007, em relação ao mesmo período de 2006.

O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, no entanto, não quis falar sobre o risco de a previsão de gastos do PPI não ser cumprida este ano. Ele disse apenas que o ritmo dos investimentos totais do governo federal está favorável, apesar de só terem sido pagos até agora R$6 bilhões dos R$31 bilhões autorizados no ano:

¿ Estamos num processo de aceleração dos investimentos.

Especialista não acredita em execução total do PPI

Segundo dados divulgados ontem pela Fazenda, os gastos totais do governo federal já somam R$164,8 bilhões este ano, R$18,3 bilhões a mais que no mesmo período de 2006. Esse resultado se deve principalmente às despesas com pessoal, além do salário mínimo (que afeta as contas da Previdência) e da reestruturação de carreiras no funcionalismo público.

As receitas também cresceram: R$203,4 bilhões até maio, alta de R$24 bilhões frente a 2006. Com isso, a economia de recursos do governo central (Tesouro, Banco Central e Previdência) para o pagamento de juros da dívida pública, o chamado superávit primário, atingiu R$38,7 bilhões nos cinco primeiros meses do ano.

Segundo a Fazenda, o resultado representa um aumento de R$6,1 bilhões em relação ao mesmo período em 2006 e está de acordo com a meta para o ano. Para o período janeiro-agosto, a meta é de R$43,7 bilhões, ou seja, o governo federal já cumpriu 88,5%. Em maio, porém, o superávit recuou 66% frente a abril, para R$4,8 bilhões. Segundo a Fazenda, isso se deve à elevação das despesas e à queda sazonal das receitas.

Para a especialista em contas públicas do grupo de conjuntura da UFRJ, Margarida Gutierrez, o governo não deve executar todo o PPI este ano, pois isso depende de gestão e o Brasil ainda não entrou em um ritmo positivo nesse processo. Mas o que mais a preocupa é a qualidade do ajuste fiscal:

¿ O superávit primário está ocorrendo às custas de aumento da arrecadação e não de redução das despesas.

Segundo a Fazenda, as despesas totais do governo federal tiveram aumento real de 2,5% entre janeiro e maio.