Título: Otimista, BC prevê inflação menor e PIB maior
Autor: Batista, Henrique Gomes
Fonte: O Globo, 29/06/2007, Economia, p. 30

Instituição projeta IPCA de 3,5% este ano, um ponto abaixo da meta, e crescimento de 4,7% da economia.

BRASÍLIA e SÃO PAULO. Mais crescimento e menos inflação. As novas projeções do Banco Central (BC) para a economia são mais otimistas que as do mercado e do próprio governo. No relatório trimestral de inflação divulgado ontem, o BC reduziu sua previsão de inflação, medida pelo IPCA, de 4% para 3,5% em 2007, um ponto percentual abaixo do centro da meta oficial e inferior à expectativa dos economistas dos cem maiores bancos do país, de 3,6%. O BC também reviu a previsão do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país), de 4,1% para 4,7%.

O mercado e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) projetam expansão de 4,3% do PIB este ano, e o governo federal, de 4,5%.

O BC também reduziu sua estimativa de inflação para 2008 de 5% para 4,6%. Mário Mesquita, diretor de Política Econômica do BC, disse que, apesar de a alta da demanda poder pressionar os preços a médio prazo, o aumento das importações e a valorização do real reduzem esse risco.

Para a economista Solange Srour, da Mellon Global Investment Brasil, o mercado deve rever as estimativas em breve:

- O BC explicou suas projeções com base em número sólidos - afirmou.

Já o professor Antônio Corrêa de Lacerda, da PUC-SP, considerou as novas projeções um pouco otimistas:

- (O BC) quer agora apresentar um quadro positivo de crescimento com estabilidade, já que por muitos anos o banco foi acusado, justamente, a meu ver, de impedir uma expansão mais vigorosa do crescimento.

Indicadores de SP sustentam projeção

Três indicadores divulgados ontem sustentam a nova projeção do BC. A indústria de construção civil teve em maio desempenho recorde, segundo a Sondagem Nacional da Indústria da Construção Civil, do Sinduscon de São Paulo e da FGV Projetos. O índice atingiu 49,5 pontos (numa escala de zero a cem), alta de 2,9% sobre abril. Em relação a maio de 2006, a alta foi de 18,7%, o melhor resultado desde o início da pesquisa, em agosto de 1999.

Já o Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista subiu em maio 8% frente a abril e 2,3% sobre o mesmo mês de 2006. De janeiro a maio, o INA acumula alta de 3,7%. Esse aquecimento se repete no varejo. O faturamento do comércio na Região Metropolitana de São Paulo subiu 0,3% em maio frente ao mesmo período de 2006, o quinto mês consecutivo de alta. De janeiro a maio, a alta é de 3,7%.

COLABORARAM: Aguinaldo Novo e Ronaldo D"Ercole