Título: São Paulo, capital nacional da pirataria
Autor: Beck, Martha e Batista, Henrique Gomes
Fonte: O Globo, 30/06/2007, Economia, p. 35

Apreensão de falsificados deve chegar a R$1 bi este ano. Dólar baixo é estímulo.

SÃO PAULO. A cidade de São Paulo é vista hoje pela Receita Federal como o maior centro de distribuição de produtos ilegais para o resto do país. Sacoleiros e contrabandistas que seguiam antes até a fronteira com o Paraguai estão parando agora na capital paulista, onde é mais "seguro" se abastecer de mercadorias piratas ou contrabandeadas. Foi o que disse ontem o chefe da Divisão Nacional de Combate ao Contrabando e à Pirataria da Receita Federal, Mauro Brito, em evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp):

- São Paulo é a Ciudad Del Este multiplicada por dez.

Segundo Brito, o produto ilegal vem do Paraguai por terra e principalmente em navios até o porto de Santos. De janeiro a maio deste ano foram apreendidos R$420 milhões em mercadorias falsificadas. Até o fim do ano, Brito acredita que as apreensões devem chegar a R$1 bilhão. Em 2006, o total apreendido chegou a R$871 milhões, com 980 prisões. Faltam celas para tantos presos e locais para alojar os produtos. Os cem armazéns da Receita em todo o país já estão abarrotados.

- Não existe mais espaço físico para guardar tanta mercadoria pirata - diz Brito.

Na semana passada, fiscais da Receita apreenderam 115 contêineres com milhares de produtos para abastecer as lojas de R$1,99. O dólar baixo também é um componente a mais nessa luta contra o contrabando, diz Brito:

- Esse dólar traz uma vantagem competitiva muito grande para o contrabandista. (Lino Rodrigues)