Título: Prostituta escapou de agressores de Sirlei
Autor: Mousse, Simone
Fonte: O Globo, 02/07/2007, Rio, p. 8
Pediatra diz que pais precisam aprender a identificar agressividade antes que seja tarde.
Se a empregada doméstica Sirlei Dias de Carvalho, espancada por cinco rapazes de classe média, na Barra, há 10 dias, não estivesse no ponto de ônibus, a vítima provavelmente seria a garota de programa X., que estava ao lado da doméstica na hora em que os cinco rapazes saltaram do carro para agredir Sirlei. Em entrevista ao ¿Fantástico¿, da TV Globo, X. contou que conseguiu escapar, mas ainda levou um soco de um dos pitboys, que ela reconheceu, ao prestar depoimento, sexta-feira, na 16ª DP (Barra), como sendo o estudante de direito Rubens Arruda, de 19 anos
¿ A minha sorte foi que eu estava do lado esquerdo do ponto. Saí em direção ao condomínio Atlântico Sul e consegui fugir deles. Mas um, o Rubens, conseguiu me dar um soco forte ¿ disse a mulher, que trabalha como manicure de dia.
Cinco rapazes podem ser um exemplo de ¿bullying¿
A outra mulher que estava no ponto, ao lado de Sirlei e de X., a manicure identificada como Maria, de 42 anos, também afirmou, na 16ª DP, que foi agredida. Além delas, minutos antes, em outro ponto de ônibus na Avenida Lúcio Costa, outra garota de programa, identificada como Ângela, apanhou. Ela também reconheceu Rubens como sendo o primeiro a lhe dar um soco no rosto.
À polícia, Rubens alegou que apenas reagiu, já que X. teria lhe batido com a bolsa no rosto. Mas X. disse que sequer estava usando bolsa naquela noite. Segundo ela, os jovens chegaram dispostos a agredir e bateram em Sirlei com fúria:
¿ A impressão é que eles iam matar a mim e a Sirlei.
Os cinco rapazes podem se encaixar num caso de bullying (quando um ou mais jovens humilham ou agridem um colega em situação de desigualdade). Segundo Aramis Lopes, diretor de Direitos da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria do Rio de Janeiro (Soperj), o bullying é caracterizado quando a agressão é repetida. O médico frisou que os pais precisam estar alertas para estas situações:
¿ É preciso que os pais fiquem atentos a atitudes agressivas, na escola ou em casa. Esses atos violentos não nascem do nada. Talvez, se a família e a escola tivessem se dado conta antes, isso não teria ocorrido. Agora, para eles, só resta a lei, a cadeia.
O pediatra observou que muitos pais vêem a conduta hostil dos filhos como positiva:
¿ Esses jovens acabam sendo os líderes do grupo, os que dominam.
Ontem, os cinco rapazes que agrediram Sirlei não tiveram direito a visitas da família na Polinter do Grajau, onde estão presos, e tiveram que se contentar com as quentinhas fornecidas pelo governo do estado. Acostumados com luxo, eles estão dividindo a carceragem com outros 320 presos e ficam em celas de 30 metros quadrados, onde cabem aproximadamente 40 detentos.