Título: Fábrica da Fiocruz terá R$30 milhões do BNDES
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Fonte: O Globo, 03/07/2007, Economia, p. 29
Primeira planta para produção de medicamentos experimentais do país reduzirá gastos do governo
RIO e BRASÍLIA. O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, assinou, ontem, em evento realizado na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com a participação do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, um financiamento de R$30 milhões para construir a primeira fábrica de protótipos de medicamentos e vacinas do país, que desenvolverá produtos de alto custo, em caráter experimental, para tratamento de anemia, Aids, câncer e hepatite.
- É uma planta de protótipos que vai permitir tirar do laboratório, para a produção industrial, medicamentos e vacinas para o sistema de saúde. São medicamentos importados a um custo relativamente alto. É um projeto muito relevante dentro da estratégia de desenvolvimento da inovação em farmoquímica para o Brasil - disse Coutinho.
A unidade, que será inaugurada em 2009, fará parte do Centro Integrado de Protótipos Biofármacos e Reativos para Diagnóstico Laboratorial (CIPBR) do Complexo Tecnológico de Bio-Maguinhos. Entre as principais substâncias a serem produzidas estão a eritropoetina humana recombinante, para tratamento de anemias associadas à insuficiência renal crônica, ao câncer e à Aids, e o interferon Alfa 2b humano recombinante, usado no tratamento de hepatite e de alguns tipos de câncer.
- Isso vai permitir que a Fiocruz dê um salto de qualidade, produção e desenvolvimento no fornecimento de biotecnológicos de qualidade para os diversos programas do Ministério da Saúde, visando o atendimento da população - disse Ricardo Galler, vice-diretor de desenvolvimento tecnológico da Fiocruz, acrescentando que a unidade vai gerar economia para o governo. - Na parte de biofármacos, o governo gasta hoje de R$800 milhões a R$900 milhões anualmente, com cerca de 14 medicamentos especiais. A expectativa é que possamos reduzir esse valor à metade. Aqui esperamos produzir entre quatro e cinco desses medicamentos.
Para o ministro da Saúde, a redução de custos não é o mais importante, mas sim o investimento em conhecimento:
- Essa planta de protótipos poderá estar aberta a qualquer empresas que queira trazer sua tecnologia para cá, para ver se há viabilidade.
Na mesma cerimônia, presidente do BNDES anunciou a redução dos juros do Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Cadeia Produtiva Farmacêutica (Profarma), de 6% para 4,5% ao ano. O objetivo é estimular investimentos em inovação e pesquisa. Ele disse que espera dobrar em dois anos o total da carteira da linha Profarma que, de 2004 a maio de 2007, acumula R$935 milhões em 47 pedidos de financiamento.
Chega ao Brasil o primeiro lote de genérico para Aids
Um grupo de portadores do vírus HIV, causador da Aids, do Distrito Federal foi ontem ao Aeroporto Internacional de Brasília para, em ato simbólico, receber o primeiro lote do medicamento genérico anti-retroviral Efavirenz a ser distribuído no país. A compra foi possível por causa da quebra da patente do produto original do laboratório Merck Sharp & Dohme, decisão inédita anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 4 de maio. O novo remédio é muito mais barato e foi fabricado na Índia, pelas empresas Aurobindo e Ranbaxy. (Mirelle de França e Henrique Gomes Batista)