Título: Senadores se irritam e criticam declarações
Autor: Berlinck, Deborah
Fonte: O Globo, 05/07/2007, Economia, p. 28

Embaixador da Venezuela tenta amenizar discurso.

BRASÍLIA e ASSUNÇÃO. O ultimato de três meses dado pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para que o Brasil aprove o ingresso daquele país ao Mercosul, irritou ainda mais o Senado, que já havia aprovado um voto de censura ao governo venezuelano devido ao fechamento da RCTV. Vários senadores manifestaram sua contrariedade em relação ao ingresso do país no bloco. Um dos mais contundentes foi o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM):

- Há muito tempo que não fico feliz com uma notícia vinda do coronel Hugo Chávez, a de que ele deu um ultimato ao Brasil. Ele pensa que está lidando com o Congresso venezuelano e que nós obedeceríamos como carneiros? Ele não tem nada o que fazer no Mercosul.

Para o líder do Democratas, José Agripino Maia (RN), o venezuelano extrapolou em "arrogância e prepotência". O vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Eduardo Azeredo (PSDB-MG), classificou as declarações de Chávez como uma grosseria:

- Não é admissível a grosseria do presidente Chávez, a forma desrespeitosa com que tratou o Congresso do Brasil.

O embaixador venezuelano no Brasil, Julio García Montoya, foi à Câmara esclarecer que a intenção de Chávez não foi dar um ultimato, mas demonstrar seu interesse em entrar logo para o bloco. Montoya foi alertado de que há um clima de hostilidade entre deputados e senadores, em razão das últimas declarações de Chávez. Sua ida ao Congresso quebra um gelo de mais de 40 dias, desde o bate-boca entre Chávez e o Legislativo, por causa do fim da licença da emissora RCTV.

Protocolo não deve ser examinado até setembro

O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), confirmou que haverá dificuldade, pois a proposta de liberalização comercial da Venezuela a ser apresentada até 2 de setembro é um mistério. Outro ponto é a cláusula democrática do Mercosul, que, para parlamentares, não está sendo cumprida.

Da parte do governo, a reação é de irritação e descrédito.

- Ninguém marca prazo para país nenhum tomar decisão - disse o ministro de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia.

Não há hipótese de o exame do protocolo de adesão da Venezuela ser concluído até setembro, como quer Chávez. Além do trâmite normal, que prevê a votação em pelo menos três comissões da Câmara e do Senado, o texto ficou perdido nos corredores, devido à criação do Parlamento do Mercosul.

No Paraguai, o trâmite de aprovação terá início amanhã no Congresso, segundo o presidente do órgão, Miguel Saguier.

(*) Com agências internacionais