Título: Roriz se diz traído por Gim e prepara vingança, dizem aliados
Autor: Carvalho, Jailton de e Franco, Ilimar
Fonte: O Globo, 06/07/2007, O País, p. 3

Grupo do ex-senador suspeita que suplente tramou contra ele.

BRASÍLIA. Mais do que com a derrota pela perda do mandato, o ex-senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) está irritado com o que considera uma traição de seu primeiro-suplente, Gim Argello (PTB-DF). Recolhido em sua mansão num bairro nobre da capital federal, desde a renúncia, anteontem à noite, Roriz tem recebido a solidariedade de seus aliados políticos e parentes. Já pensa nas eleições de 2010, mas, de imediato, quer notícias de Gim, que até bem pouco tempo era um dos seus mais próximos aliados e que desapareceu desde que foi cogitada a possibilidade de renúncia coletiva para que pudesse haver outra eleição.

Ninguém mais duvida, entre os aliados de Roriz, que o suplente teria sido quem passou à revista "Veja" a denúncia de que o ex-governador do Distrito Federal teria comprado voto de juízes do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para mudar o resultado de um julgamento. Foi a pá de cal na relação dos dois e que culminou com a renúncia solitária do ex-senador.

- Foi uma truculência muito grande do Gim. Roriz o considerava um amigo leal. Mas que o governador vai dar o troco, ah, isso vai - disse ontem um dos mais fiéis aliados de Roriz na Câmara.

Roriz deve descansar num spa ou em uma de suas fazendas

Como tem problemas de diabetes, que se agrava em momentos de crise, nos próximos dias Roriz deve se recolher em um spa por cerca de dez dias, ou numa de suas fazendas. Diferentemente do hoje governador José Roberto Arruda (DEM-DF) - que, após renunciar a seu mandato no Senado, em 2001, iniciou imediatamente um trabalho de reaproximação das bases que o levou à vitória na eleição do ano passado - Roriz não tem saúde para fazer esse trabalho no varejo.

Em vez de promover um corpo-a-corpo com o eleitor, seu grupo político deve fazer um grande evento no dia 4 de agosto, quando Roriz celebra o aniversário de 71 anos, com uma missa na Catedral Rainha da Paz.

A avaliação de seus aliados, com base nos números que Roriz ostenta freqüentemente nas pesquisas, é a de que, mesmo com a renúncia, o ex-senador mantém um grande capital político.

- Ele manteve o que é mais importante na política: a perspectiva de poder. Vai se manter como líder, um conselheiro, e em 2010 pode escolher disputar o governo do Distrito Federal ou o Senado, e pode definir a vida de muitos deputados. Se fosse cassado, ele virava pó de traque - afirma o aliado.

Segundo os interlocutores de Roriz, o ex-senador está muito abatido, porque hesitou até o último instante em oficializar a renúncia. Ele acreditava que podia enfrentar o processo, receber algum tipo de punição fiscal, mas não a cassação política. Mas, na noite de anteontem, foi convencido de que não suportaria enfrentar o processo e a mídia. As atenções agora se voltam para os passos de Gim Argello.

- O Gim não resiste a 15 dias de investigação. É um cara incontido no jeito de falar e de agir - afirma um aliado de Roriz.