Título: Adesão da Venezuela desagrada a alguns setores
Autor: Oswald, Vivian
Fonte: O Globo, 06/07/2007, Economia, p. 23
Colombianos também pressionam Chávez.
BRASÍLIA. Os setores de alimentos industrializados, metalúrgico, calçadista e têxtil são exemplos de pontos vulneráveis da Venezuela em um acordo definitivo de adesão ao Mercosul, segundo fontes que lidam diretamente com o assunto. Os venezuelanos, por sua vez, estariam dispostos a abrir mais seu mercado para equipamentos para exploração de petróleo, bens de capital, petroquímicos e serviços de transferência de tecnologia, construção civil e engenharia fina do Brasil.
É sobre esse cenário que os técnicos venezuelanos estão debruçados, para finalizar a oferta de liberalização comercial, que precisa ser apresentada ao Mercosul até 2 de setembro. Sob o argumento de que a indústria nacional precisa se desenvolver - o forte da economia da Venezuela continua sendo o petróleo, e nada mais - empresários pedem que as tarifas de importação de setores considerados sensíveis sejam reduzidas mais lentamente.
No modelo que está sendo desenhado, deverão ser pedidas exceções permanentes que, no entanto, dificilmente serão aceitas por Brasil e Argentina, as economias mais diversificadas e industrializadas do bloco e que tendem a ser prejudicadas por medidas protecionistas.
Mas não são apenas os industriais venezuelanos que pressionam o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, a dar um passo atrás no processo de integração de seu país ao Mercosul.
- Os colombianos também temem a penetração excessiva da indústria brasileira na Venezuela - afirma o presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), José Botafogo Gonçalves.
O mercado venezuelano é fundamental para as exportações da Colômbia, especialmente de manufaturados. Para se ter uma idéia, a Colômbia exporta cerca de US$1 bilhão por ano à Venezuela e vem registrando superávits - ou pequeníssimos déficits - com o país andino.
Para tentar acabar com o clima hostil da Câmara e do Senado quanto ao protocolo de adesão da Venezuela, em algumas semanas congressistas do país vizinho virão a Brasília. Além disso, amanhã o presidente da Câmara de Comércio Brasil-Venezuela, José Francisco Marcondes, viajará à Venezuela para discutir com empresários locais como salvar o processo de adesão do país ao Mercosul.