Título: Com estrangeiros, dólar cai 0,62% e chega ao menor valor desde 2000
Autor: Rosa, Bruno
Fonte: O Globo, 07/07/2007, Economia, p. 34
Em dia de recordes, a Bolsa fecha em alta aos 56.443 pontos.
A melhora no cenário internacional com os resultados positivos divulgados ontem nos Estados Unidos animou os investidores, que aumentaram suas aplicações em países emergentes como o Brasil. Com isso, o dólar fechou no menor patamar desde outubro de 2000. A divisa, que chegou a ser negociada a R$1,89 durante boa parte do dia, fechou em queda de 0,62%, cotada a R$1,903. O recuo só não foi maior porque o Banco Central (BC) entrou no mercado e comprou US$300 milhões, de acordo com estimativas de analistas.
Para Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso, o fluxo cambial positivo está forte e pressiona a taxa da moeda americana para a depreciação, fazendo com que a cotação se aproxime rapidamente da casa de R$1,89. No ano, a moeda acumula queda de 10,74%. Na semana, o recuo é de 0,15%.
- O que se percebe é que quando isso ocorre há uma retração da oferta e o preço apresenta discreta recuperação, mas mantida a intensidade do fluxo parece inevitável que o piso seja rompido, salvo interferência mais contundente do Banco Central. A maior parte dos recursos que entra no país não é especulativo. A moeda só não fechou a R$1,89 porque segunda-feira é feriado em São Paulo e os bancos reduziram sua exposição - diz Galhardo.
Ontem, o Departamento de Trabalho dos EUA divulgou a criação de 132 mil novos postos de trabalho em junho, valor que ficou dentro do esperado pelos analistas. A taxa de desemprego ficou estável em 4,5%. Esse resultado fez com que as Bolsas americanas fechassem em alta. Segundo analistas, os números indicam que a economia americana continua crescendo de forma sustentável, afastando a possibilidade de um aumento nos juros, hoje em 5,25% ao ano.
Assim, a Nasdaq fechou em alta de 0,37%. No Dow Jones e no S&P o dia também foi de ganhos: com valorização de 0,34% e 0,33%, respectivamente. Para Álvaro Bandeira, economista-chefe da Ágora, com a menor possibilidade de alta nos juros dos EUA, os investidores voltam a diversificar suas aplicações. Na Europa, a Bolsa de Frankfurt avançou 0,77%, assim como a de Londres (0,83%) e a de Paris(0,71%).
O otimismo fez ainda a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) bater o segundo recorde consecutivo e o 28º do ano. O pregão fechou em alta de 0,91%, aos 56.443 pontos. A alta acumulada na semana foi de 3,77%. O risco-Brasil fechou em queda de 0,67%, aos 147 pontos centesimais.
- O cenário positivo continua. Apesar dos rumores de uma crise no mercado de hipotecas de alto risco continuar, a economia americana mostra que está forte. No Brasil, o IPCA veio forte, mas dentro do esperado, aumentando ainda mais o bom humor dos investidores - afirma Bandeira.
Os negócios também ganharam impulso com as altas nas ações da Petrobras, que representam 16,29% do Ibovespa - índice que reúne os papéis mais negociados. As ordinárias (ON, com direito a voto) subiram 1,04%. As preferenciais (PN, sem direito a voto) da estatal registraram valorização de 0,92%. O crescimento foi reflexo do avanço de 1,39% no preço do barril do petróleo, que fechou a US$72,81, devido a problemas na Nigéria. Com os rumores de venda, as PNs da Brasil Telecom subiram 3,48% e as da Telemig, 3,10%.