Título: Petrobras não assina pacto para reduzir emissões
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Fonte: O Globo, 07/07/2007, Economia, p. 38

Mas empresa se diz disposta a colaborar.

GENEBRA e RIO. Executivos-chefes de 153 corporações assinaram na ONU um documento comprometendo-se a adotar medidas para combater o aquecimento global. Eles prometem reduzir emissões de carbono em processos e produtos das empresas e ser mais eficientes no uso de energia. A Petrobras, uma das mais ativas no chamado Pacto Global, lançado em 2000 para mobilizar empresas em torno de questões como combate à corrupção e proteção ambiental, não assinou o documento.

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, justificou a decisão dizendo que o petróleo, um dos principais responsáveis pelas emissões de carbono, é a essência da empresa. E que não se comprometeria com o que sabe não poder cumprir: reduzir as emissões no produto. A espanhola Repsol foi uma das poucas do setor a assinar o documento, mas a dificuldade não é só da Petrobras: apenas 153 empresas de um total de 3.200 se comprometeram.

Gabrielli disse que a estatal está pronta a assinar se houver uma mudança no texto, para aceitar como contribuição, por exemplo, o fato de estar aumentando seu envolvimento com gás e etanol, menos poluidores. Ele propôs criar um grupo de trabalho para discutir outras formas de contribuição:

- Podemos reduzir as emissões no mix de produtos, melhorando a eficiência energética de processos, desenvolvendo biocombustíveis e outras fontes renováveis, mas não o teor de carbono do petróleo.

Georg Kell, diretor do Pacto Global, disse que a idéia é boa e que vai criar o grupo de trabalho.

Muitos ativistas criticam o pacto por não ter criado um mecanismo forte para cobrar das empresas o cumprimento das promessas. Até agora, 742 empresas foram eliminadas por não prestar contas, entre elas 40 brasileiras. No encontro, a ONG AccountAbility divulgou seu ranking de competividade responsável, liderado pela Suécia. O Brasil ficou em 56º lugar.

A Petrobras Distribuidora (BR) quer ser a primeira a vender, em 2008, o BioQAV (biocombustível adicionado ao querosene da aviação). O produto foi desenvolvido pelo engenheiro químico Expedito Parente, o pai do biodiesel. A presidente da BR, Graça Foster, disse não conhecer a tecnologia, desenvolvida em processo sigiloso na TECbio, empresa de Parente com a Nasa, mas afirmou que a BR quer ser a pioneira.

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