Título: Brasil piora em corrupção e eficácia do poder público
Autor: Passos, José Meirelles
Fonte: O Globo, 11/07/2007, Economia, p. 26
Pesquisa do Banco Mundial, no entanto, mostra que, entre 2002 e 2006, país melhorou nos quesitos de estabilidade política e voz e transparência.
WASHINGTON. Um levantamento do Banco Mundial (Bird), realizado no período de 2002 a 2006, mostra que piorou no país a corrupção e a eficácia do governo e caiu também a qualidade regulatória.
Dos seis índices referentes aos "Indicadores Globais de Governabilidade para 2006", divulgados ontem pelo Banco Mundial (Bird), o Brasil teve uma melhora - leve - em apenas dois deles: aumentou "voz e transparência - item que se refere à capacidade dos cidadãos em escolher os seus governantes, assim como a liberdade de expressão, de associação e de imprensa - e cresceu a estabilidade política e a ausência de violência no setor político.
Trata-se de um estudo que o Bird vem realizando regularmente há seis anos, colhendo dados de 30 fontes distintas em 212 países e territórios. A pontuação obedece a um critério específico: o índice dado à cada nação, em cada uma das seis categorias, indica a porcentagem de países estão em pior situação. Por exemplo, quando um país obtém 70% numa categoria, isso significa que 70% dos demais países estão em piores condições e 30% estão em melhores.
Estabilidade política no Brasil passou de 41% para 43,3%
No quesito "controle a corrupção", que se refere à medida em que o poder público é voltado para o benefício do setor privado - "incluindo tanto formas grandes e pequenas de corrupção, assim como a captura do Estado pelas elites e interesses privados", o Brasil registrou a maior queda: obteve 47,1% em 2006, quando em 2002 obtivera uma posição bem melhor: 60%.
Com referência à eficácia do governo, no Brasil, o índice caiu, naquele período, de 55% para 52,1%. A qualidade regulatória (que é a capacidade do governo para formular e implementar políticas e regulamentações) baixou de 57% para 54,1%. E na manutenção do império da lei - "que mede, particularmente, a qualidade da implementação de contratos, a qualidade da polícia e dos tribunais, assim como a probabilidade de crime e violência" -, a queda registrada pelo Bird foi de 43,5% para 41,4%.
As melhorias apontadas pela pesquisa aconteceram em dois índices. Em "voz e transparência", o Brasil subiu de 56% para 58,7%. E em "estabilidade política" passou de 41% para 43,3%:
- Medir governabilidade apresenta desafios singulares. A governabilidade é complexa e tem muitos aspectos diferentes. Portanto, nenhum indicador solitário pode capturar totalmente a performance de governabilidade de um país. Por isso, é importante obter dados de uma variedade de fontes disponíveis, como fizemos - afirmou Aart Kraay, líder da equipe de economistas que integra o Grupo de Pesquisas de Desenvolvimento do Banco Mundial.
Em 2006, US$1 trilhão foi gasto com subornos
Chile, Costa Rica e Uruguai foram os países obtiveram os melhores índices da América Latina. Os chilenos se destacaram. No quesito "controle da corrupção", por exemplo, eles obtiveram 89,8% - ou seja, um índice maior inclusive que o dos Estados Unidos, que chegou a 89,3%. A Venezuela, por sua vez, alcançou nada mais do que 12,6% nesse item, segundo o mesmo levantamento.
Pelas estimativas do Bird nada menos do que US$1 trilhão foram gastos com subornos no ano passado. O pior disso, segundo o informe divulgado ontem, é que está comprovado que "o peso da corrupção recai de forma desproporcional sobre as costas de um bilhão de pessoas que vivem em extrema pobreza".
O levantamento feito pelo Bird comprovou ainda que, nos casos em que a governabilidade melhorou, houve um declínio de dois terços da mortalidade infantil e a renda da população aumentou três vezes a longo prazo.