Título: Emprego formal atinge recorde
Autor: Barbosa, Flávia
Fonte: O Globo, 14/07/2007, Economia, p. 34
De janeiro a junho, número de vagas criadas superou um milhão.
BRASÍLIA. O número de empregos com carteira assinada no Brasil apresentou expansão de 18,5% entre janeiro e junho deste ano. Foi esse salto no ritmo de contratações que garantiu a ultrapassagem, pela primeira vez, da marca de um milhão de vagas criadas em um primeiro semestre - conforme antecipara ao GLOBO o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, no último domingo. Quase todos os setores da economia apresentaram desempenho positivo. Mas o crescimento dos empréstimos habitacionais e a farta colheita da safra 2006/2007 fizeram da construção civil e da agropecuária - que igualmente bateram recorde - os destaques do período.
O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) registrou a criação de 1.095.503 de vagas entre janeiro e junho, ante 923.798 no ano anterior. O melhor primeiro semestre até então - considerando o saldo entre admissões e demissões, e a série começada em 1992 - era o de 2004.
A construção respondeu por 97.571 empregos formais, um aumento de 23,6% em relação às contratações do ano anterior. No campo, foram abertas 238.437 vagas, avanço de 24,5% sobre 2006. O resultado foi positivo em praticamente 300 mil postos na indústria - alimentos, bebidas, material de transporte, têxtil e vestuário à frente -, que ampliou em 39,4% seu quadro funcional. A indústria só perde em números absolutos para o setor de serviços (238.437), que apresentou expansão de 24,5%. O ritmo de admissões no comércio cresceu 35,4% (97.051 vagas).
Na contramão, os segmentos de extração mineral (onde está a indústria do petróleo), serviços industriais de utilidade pública (como saneamento e energia) e a administração pública reduziram o apetite por novos funcionários.
O estado de São Paulo, devido ao tamanho de seu parque industrial e à abrangência da oferta de serviços, liderou o processo de contratações, com 486.175 vagas. Minas Gerais teve saldo de 186.571, e o Paraná, 95.215. O Rio registrou 63.828 novos empregos - em um ano, foram abertas 128.032 oportunidades no estado, alta de 4,84%, a menor do Sudeste. Em 12 meses, o Brasil acumula 1.400.391 postos (5,12%).
Ministro diz que números são reflexo do PAC
Se for considerado o ritmo de expansão da oferta de emprego, quatro estados se destacam com desempenho acima da média nacional: Mato Grosso (6,57%), Pará e Rio Grande do Norte (6,10%) e Paraná (6,06%). Rondônia, Maranhão, Santa Catarina e Goiás foram os estados que tiveram o melhor resultado para um primeiro semestre.
Para o ministro Lupi, os números refletem o bom momento da economia e as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC):
- Esse reflexo fica claro na agropecuária e na construção civil, setores onde o governo está investindo pesado.
A geração de vagas em junho alcançou 181.667, número 16,8% superior ao do mesmo período de 2006 e o terceiro maior da série histórica.