Título: Obra de ranhuras tem início previsto para hoje
Autor: Martins, Marília
Fonte: O Globo, 25/07/2007, O País, p. 10
Sem pousos e decolagens, trabalho na pista principal de Congonhas deve durar 20 dias.
SÃO PAULO. Uma semana depois do acidente com o avião da TAM, está previsto para a madrugada de hoje o início das obras de grooving (ranhuras que facilitam a drenagem da água da chuva) na pista principal de Congonhas. Segundo a Infraero (estatal que administra os aeroportos), o trabalho deve levar pelo menos 20 dias, na hipótese de a pista continuar fechada para pousos e decolagens. Caso contrário, seriam 47 dias, com as obras ocorrendo nas madrugadas, a exemplo da reforma da pista auxiliar.
- São duas possibilidades que ainda estamos estudando: em 20 dias, sem a abertura da pista, ou em 47 dias, com a pista operando - disse Edgar Brandão, superintendente da estatal em São Paulo.
As obras para a impressão das ranhuras na pista, segundo Brandão, não serão interrompidas por causa das chuvas, e uma equipe do departamento de engenharia da Infraero em Brasília vai fiscalizar o trabalho da construtora OAS.
O superintendente da Infraero em São Paulo disse também que não há risco de novos desmoronamentos entre a lateral da cabeceira da pista principal e o início da Avenida Washington Luís, onde houve um deslizamento na noite de segunda-feira. Segundo ele, foi realizado um trabalho de contenção provisória pelos engenheiros da Infraero, com a construção de uma mureta para impedir novos deslizamentos. O gramado que fica entre a mureta e o muro de arrimo foi coberto com lonas para evitar infiltrações de chuva.
-Tudo indica que a infiltração não afetou a estrutura do muro de arrimo do terreno. Mas vamos saber com certeza depois de uma análise mais profunda em dia de sol - disse Brandão, lembrando que, pelo que viu, aparentemente não houve trinca ou fissuras na lateral da pista, local onde o Airbus da TAM se chocou contra a mureta, danificando as canaletas.
Defesa Civil não descarta novo deslizamento
Já a Defesa Civil alertou que, se voltar a chover forte, a terra poderá ceder. Pela manhã, engenheiros e geólogos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) vistoriaram a área, mas não deram informações. O capitão Mauro Lopes, porta-voz do Corpo de Bombeiros, disse que o deslizamento "está contido" no momento, mas não descartou o risco de a terra ceder novamente:
- As medidas emergenciais estão tomadas. A chuva é um risco, mas temos lonas e um dique de contenção. Não chovendo forte, não há problema.