Título: Pilotos e comissários pedem licença e demissão
Autor: Ribeiro, Erica
Fonte: O Globo, 25/07/2007, O País, p. 17
Empresas negam que haja desistência em massa. TAM dá folga a tripulação que não tiver condição de trabalhar.
A crise no setor aéreo, agravada pelo acidente com o avião da TAM na terça-feira da semana passada, tem levado pilotos, comissários de bordo e profissionais que trabalham no atendimento em terra a se afastar das atividades ou mesmo a pedir demissão. Apesar de as principais companhias aéreas do país - TAM e Gol - afirmarem que não há pedidos de demissão em massa, fontes do setor afirmam que muitos profissionais estão abalados pelos últimos acontecimentos e citam a falta de infra-estrutura como um dos motivos para deixar o trabalho, ainda que temporariamente. Os transtornos diários nos aeroportos afetam os profissionais que trabalham no atendimento aos passageiros.
Segundo o presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil (Fentac), Celso Klafke, os aeroviários (pessoal que trabalha em terra) e aeronautas (pilotos e comissários de bordo) estão solicitando às empresas o afastamento temporário de suas funções, e, em alguns casos, até mesmo a demissão.
Carga horária excessiva afeta trabalho, diz sindicato
A Fentac, segundo ele, ainda não tem o número de demissões pedidas, porque são necessários dez dias para que os ex-funcionários compareçam aos sindicatos para rescisão de contrato.
- Entre os motivos para o afastamento, estão o estresse provocado pela carga horária excessiva e os problemas enfrentados no atendimento aos passageiros, que, com razão, chegam ao aeroporto irritados com a situação de caos. No caso dos aeroviários, recebemos relatos de profissionais cuja carga horária normal é de seis horas trabalhando mais de 12 horas por dia - diz Klafke.
Segundo o sindicalista, em Porto Alegre, a Fentac já procurou a Delegacia Regional do Trabalho para informar sobre os problemas que estão sendo enfrentados pelos trabalhadores. Klafke afirma que, além de aeroviários e tripulação, profissionais da área de manutenção também passam pelo mesmo problema.
A TAM informou que a companhia deu a opção aos profissionais da tripulação (pilotos e comissários de bordo) que não estiverem em condições psicológicas de ficar em casa por alguns dias. Profissionais que trabalham no atendimento aos passageiros não foram contemplados com essas folgas.
De acordo com a empresa, não se trata de licença médica ou demissão, mas sim de um afastamento temporário, para que os profissionais estejam em condições de voltar ao trabalho. Quanto a demissões, a empresa disse que três comissários de bordo e um comandante pediram desligamento, o que é considerado um movimento normal. A empresa negou que pedidos de demissão e afastamento em massa estejam ocorrendo.
Gol oferece atendimento de psicólogos a funcionários
A Gol informou apenas que a empresa tem psicólogos à disposição de seus funcionários, principalmente em situações de estresse pós-trauma, como foi o caso do acidente ocorrido na terça-feira passada.
Segundo o secretário-geral do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea), Anchieta Helcias, a mudança no perfil do transporte aéreo em função das alterações que terão de ser implementadas pelas empresas aéreas, com enxugamento de vôos em Congonhas, vão acabar gerando demissões no setor. Em uma avaliação preliminar, diz ele, a queda de faturamento chegará a 30%
- Haverá uma mudança no perfil da aviação no país, e isso vai gerar tarifas maiores, menos gente usando o transporte aéreo. A aviação pode voltar a ser um transporte elitizado. Mudanças no perfil de negócios das empresas vão acarretar demissões no futuro.