Título: Desemprego cai pela primeira vez no ano
Autor: Ribeiro, Fabiana e Oliveira, Eliane
Fonte: O Globo, 27/07/2007, Economia, p. 28

Taxa ficou em 9,7% em junho, com a criação de novas vagas em SP. Rendimento médio teve queda de 0,5%.

RIO e BRASÍLIA. A taxa de desemprego do país ficou em 9,7% em junho, depois de três meses estagnada em 10,1%. Foi o primeiro recuo do indicador neste ano, influenciado pelo desempenho de São Paulo: das 268 mil vagas criadas em seis regiões metropolitanas do país, 184 mil foram abertas na cidade. O rendimento médio, por sua vez, apresentou uma ligeira queda, de 0,5% frente a maio. Em relação a junho de 2006, a melhora é de 2,7%.

- A queda de rendimento pode ser explicada pela absorção de novas pessoas no mercado de trabalho. Quem chega é iniciante e começa com salários menores. Além disso, o comércio paga salário mais baixos também - explicou Cimar Azeredo, gerente da pesquisa do IBGE.

No primeiro semestre, a taxa média de desocupação ficou em 9,9%. Para o economista Lauro Ramos, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o próximo semestre pode ter taxas ainda menores.

- Vamos terminar 2007 em condições melhores do que 2006. Esses pequenos avanços no mercado de trabalho podem sinalizar uma retomada na indústria.

A previsão de Ramos já começa a ser confirmada. Segundo a Sondagem Industrial divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o parque industrial brasileiro teve, no segundo trimestre de 2007, seu melhor momento nos últimos dois anos.

Combustíveis e automóveis lideram expansão industrial

Pela pesquisa, realizada no período de 29 de junho a 18 de julho, o indicador que mede a atividade industrial chegou a 56,2 pontos, um aumento de 5,1 pontos em relação ao trimestre anterior. A expansão foi ainda maior frente ao mesmo período de 2006: 7,2 pontos. Acima de 50 pontos significa aumento da produção.

De acordo com a CNI, dos 27 segmentos industriais pesquisados, 21 apresentaram valores acima de 50 pontos no índice de produção. No segundo trimestre do ano passado, apenas oito setores da indústria tinham índice de produção acima dos 50 pontos.

As áreas com os maiores índices de evolução da produção foram álcool (71,4 pontos), refino de petróleo (68,8 pontos) e veículos automotores (64,4 pontos). Quanto aos setores que apresentaram queda na produção, destacam-se calçados (44,6 pontos), madeira (45,5 pontos) e couros e artefatos (45,8 pontos). O setor de móveis foi o único que registrou estabilidade da produção.

- O crescimento está atingindo mais gente - afirmou o gerente da Unidade de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca.

O cenário positivo se repete no emprego industrial, que também teve o melhor desempenho dos últimos dois anos. O índice passou de 52,4 para 53,2 pontos, o que indica aumento no ritmo de crescimento das contratações. Os técnicos da CNI ouviram 258 grandes empresas, 507 médias e 949 pequenas.

Para a entidade, o processo vem sendo movido pela expansão do consumo no mercado interno. Permanecem os problemas externos em razão do real valorizado frente ao dólar, que acaba reduzindo a rentabilidade dos exportadores brasileiros.

Agronegócio avança 1,29% no quadrimestre

A agricultura também apresentou recuperação. Após dois anos consecutivos de crise - marcada por fortes períodos de estiagem nos principais estados produtores - o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro apresentou crescimento de 1,29% nos primeiros quatro meses de 2007. Em abril, a alta foi de 0,54%, informou ontem a Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

A expectativa da CNA é que o PIB do agronegócio feche 2007 em R$564 bilhões, com um crescimento de 4,5% em relação a 2006.