Título: Jobim visita Congonhas, mas pousa em Guarulhos
Autor: Freire, Flávio e Menzes, Maiá
Fonte: O Globo, 28/07/2007, O País, p. 5

Ministro foi a primeira autoridade federal a pisar na pista da tragédia e no prédio contra o qual avião se chocou.

SÃO PAULO. No 11º dia depois da maior tragédia aérea do país, a primeira autoridade federal pôs os pés no local do acidente. Em estilo que lembrava o do ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, fez ontem, sem a presença de técnicos ou peritos, rápida visita à pista principal do Aeroporto de Congonhas, antes da sua reabertura.

De carro, chegou à cabeceira da pista, de onde saiu a aeronave que se chocou contra o terminal de cargas da TAM Express, do outro lado da Avenida Washington Luís. O ministro também esteve no local onde o avião explodiu, na semana passada, matando 199 pessoas.

Trânsito interrompido para comitiva atravessar avenida

Jobim desembarcou por volta das 8h na Base Aérea do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Deveria seguir para o Aeroporto de Congonhas de helicóptero, mas o mau tempo fez com que a comitiva tivesse de atravessar a cidade de carro, seguida por batedores da Polícia Militar.

Na pista de Congonhas, o ministro foi recebido numa área de autoridades que poucas vezes é aberta à imprensa. Com um séquito de cerca de 20 pessoas, entre militares e assessores, foi a pé até o local dos escombros, do outro lado da avenida. No caminho, Jobim passou ao lado do muro onde houve um deslizamento de terra dias atrás.

Também o acompanhavam o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, o presidente da Infraero, José Carlos Pereira, e os secretários estaduais de Segurança, Ronaldo Marzagão, e Justiça, Luiz Antônio Marrey. Para que o grupo atravessasse uma das mais movimentadas avenidas da cidade, a Washington Luís, agentes da CET pararam o trânsito, a cerca de 200 metros de uma passarela de pedestres.

De lá, Jobim foi para os fundos do prédio. Um caminhão do Corpo de Bombeiros já o esperava. Com capacete da corporação, o ministro subiu em uma plataforma hidráulica, até o segundo piso do prédio, destruído pelo acidente. Para registrar essa cena, os fotógrafos puderam entrar numa área até então interditada pelos bombeiros.

O ministro, acompanhado por soldados dos bombeiros, permaneceu sobre os escombros por cerca de 20 minutos. Antes de sair, a pedido dos jornalistas, fez, via assessor, uma declaração sobre o acidente:

- É uma tragédia impactante que impõe ações - disse ele, antes de embarcar num helicóptero que o levou para o Instituto Médico-Legal.

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