Título: Lula decide entregar Furnas a Conde e ao PMDB
Autor: Franco, Ilimar
Fonte: O Globo, 01/08/2007, O País, p. 13

Governo negocia apoio para prorrogar CPMF; outros aliados esperam por nomeações e por liberação de emendas.

BRASÍLIA. Numa tentativa de acalmar o PMDB, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai formalizar hoje convite para o secretário de Cultura do Rio de Janeiro, Luiz Paulo Conde, assumir a presidência de Furnas. O encontro do presidente com Conde está previsto para esta manhã e terá a presença do ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner. Com a nomeação de Conde, o presidente atende a uma reivindicação do PMDB do Rio, cujo coordenador da bancada, deputado Eduardo Cunha, ocupa dois postos estratégicos no momento: a relatoria da emenda constitucional que prorroga a Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF) e a presidência da CPI do Apagão Aéreo.

A decisão do presidente de nomear Conde para Furnas foi comunicada ontem, no fim da tarde, à cúpula do PMDB. Os outros partidos aliados continuam descontentes. Os líderes governistas estão apreensivos com o humor da base aliada no retorno do recesso parlamentar hoje. Os deputados e senadores que apóiam o governo Lula saíram para as férias, em 15 de julho, com a promessa de que, quando retornassem, em agosto, já teria sido deslanchada a liberação de R$540 milhões em emendas individuais ao Orçamento.

As cúpulas de partidos governistas também estão preocupadas, pois, apesar das garantias do ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, o ritmo de nomeações para cargos federais ainda é lento.

- Não há resultados concretos. Nem nomeações nem emendas - resumiu o líder do PR, deputado Luciano Castro (RR).

As nomeações para o segundo escalão e a liberação de emendas, de acordo com os líderes, são consideradas fundamentais para que o governo consiga aprovar a prorrogação da CPMF. Eles avaliam que, sem atender às demandas dos parlamentares, será difícil enfrentar a pressão dos governadores para que seja aprovado o relatório de Eduardo Cunha, que propõe dividir a receita da CPMF entre União, estados e municípios - o que o Planalto não aceita.

- O nível de cobrança é bastante elevado. A expectativa é de que as emendas sejam liberadas e as nomeações, atendidas - admitiu o líder do governo na Câmara, José Múcio (PTB-PE).

"Nomeações facilitarão relação com a base", diz deputado

Os governistas trabalharam até agora tendo como lastro a palavra do ministro Mares Guia, que lhes garantiu um cronograma de liberação das emendas parlamentares em quatro parcelas de R$540 milhões nos meses de julho, setembro, novembro e dezembro. Quanto às nomeações, os partidos estão um pouco mais tolerantes, pois elas obedecem a estratégias próprias de cada ministério. Mesmo assim, reconhecem que a demora provoca inquietação e tumultua o processo legislativo e a ação do governo no Congresso.

- Acho que, se o governo aumentar o ritmo da liberação das emendas e agilizar o processo de nomeações, aí facilitará a relação com a base - argumentou o líder do PSB, deputado Márcio França (SP)