Título: Força Nacional de Segurança deixará 2.400 agentes no Rio
Autor: Motta, Cláudio
Fonte: O Globo, 01/08/2007, Rio, p. 21

Efetivo deverá continuar na cidade apenas até o fim do Parapan, que vai ser realizado entre os dias 12 e 19.

O governador Sérgio Cabral anunciou ontem que 2.400 homens da Força Nacional de Segurança (FNS), que vieram para reforçar o patrulhamento durante o Pan, permanecerão no Rio até o fim da primeira fase da desmobilização do efetivo. Tanto ele como a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), no entanto, não informaram por quanto tempo esse contingente ficará na cidade. Fontes afirmam que o período coincidirá com o do Parapan, a ser realizado entre os dias 12 e 19 deste mês.

Satisfeito com a contribuição federal para a segurança, o governador informou que 550 dos 1.500 carros que a Senasp comprou para o esquema de segurança dos jogos ficarão no Rio. O restante será distribuído a outros estados. Além disso, Cabral afirmou que comprará para a polícia, em dois meses, 1.500 veículos, cuja manutenção será terceirizada.

- A Senasp vai desmobilizando os efetivos, mas isso não será sentido nas ruas, porque todos os que faziam o policiamento ostensivo, cerca de 2.400 homens da FNS, continuarão trabalhando conosco na primeira fase. O ministro da Justiça, Tarso Genro, garantiu que teremos cerca de 300 homens da Polícia Rodoviária Federal nas rodovias federais. Temos que trabalhar no que é possível - disse o governador, que estava acompanhado do secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame.

De acordo com o secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Corrêa, mais importante do que discutir o número de policiais que ficarão na cidade é criar as condições necessárias para que o Rio seja auto-suficiente. Ele informou ainda que o embarque de homens da FNS de volta aos seus estados de origem já começou:

- Todo o investimento não visou ao Pan, mas ao Rio. Não podemos, a cada grande evento, parar o país e discutir orçamento, por inexistência de infra-estrutura. A idéia é deixar o Rio dotado da capacidade de suportar qualquer evento no futuro. Nossa demanda de inteligência e de operações vai determinar o quantitativo (da FNS) de que precisamos. Não vamos manter uma capacidade ociosa, porque onera a todos.

Já a Polícia Rodoviária Federal informou que 370 agentes de outros estados permanecerão na cidade apenas até o final do Parapan. Do total de patrulheiros, 230 são motociclistas empregados em escoltas. Depois do evento esportivo, o Rio contará com 150 homens do Grupo Tático até o fim do ano. Eles vão retomar a Operação Centurião, patrulhando as rodovias federais da Região Metropolitana. Os agentes se somarão aos mil policiais federais presentes no Rio (300 são motociclistas).

Cabral muda pedido de ajuda das Forças Armadas

Quanto à presença das Forças Armadas no patrulhamento, o governador decidiu, em vez de pedir tropas nas ruas, solicitar apoio logístico:

- Não adianta ficar numa briga quixotesca com as Forças Armadas. Conversarei com o ministro Nelson Jobim (da Defesa) e com o presidente Lula na quinta-feira (amanhã). As Forças Armadas podem contribuir com apoio logístico, como transporte de tropas, caminhões, ônibus, armamentos. Mas não consigo entender por que não podem fazer o policiamento ostensivo no entorno de suas unidades, que são muitas.