Título: Vivo compra Telemig e Amazônia celulares por R$1,2 bi
Autor: Tavares, Mônica
Fonte: O Globo, 03/08/2007, Economia, p. 25

Criação de uma supertele, por Oi e BrT, leva especialistas a temerem um duopólio com a Telefônica no país

BRASÍLIA. A Vivo venceu a Claro e a Oi e comprou as operadoras Telemig Celular e a Amazônia Celular por R$1,213 bilhão. O anúncio foi feito ontem à noite por Roberto Lima, presidente da Vivo, controlada por Telefônica e Portugal Telecom. A operação é fundamental para que a Vivo mantenha a liderança do mercado nacional. O negócio precisa da aprovação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

O próximo passo será a oferta para a compra de ações ordinárias das duas empresas, por 80% do valor pago em cada papel dos controladores. Também há a proposta de adquirir um terço das ações preferenciais. O preço unitário da ação ordinária da Telemig Participações foi de R$14,21, e o da Tele Norte Participações (holding da Amazônia Celular), de R$1,85.

Para que a Vivo se torne uma operadora realmente nacional, precisa estar presente em Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí. Para isso, pode comprar licenças no leilão das sobras do Sistema Móvel Pessoal (SMP), em setembro, ou entrar na licitação de terceira geração (3G), em novembro ou dezembro.

A Telemig Celular e a Amazônia Celular somam cerca de 4,8 milhões de clientes. Com isso, a Vivo deverá chegar a mais de 35,1 milhões de usuários, ou 33% de participação no país (frente a 28,35% em junho).

Outro movimento no setor de telecomunicações, o estudo do governo para fundir a Oi (ex-Telemar) com a Brasil Telecom (BrT), preocupa especialistas. O ex-ministro das Comunicações Juarez Quadros acredita que a união fere o princípio da isonomia - a geografia econômica do setor foi feita de modo que as quatro empresas surgidas da cisão da Telebrás tivessem os mesmos ativos. Para ele, poderá haver questionamentos na Justiça. Parlamentares, como Paulo Bornhausen (DEM-SC), temem um duopólio com a Telefônica.

Telemar eleva proposta para recompra de ações

Já o ex-presidente da Anatel Elifas Gurgel acredita que a fusão deixará a Telefônica totalmente isolada em São Paulo e que uma supertele terá força para enfrentar a Embratel na longa distância. Ele diz que a fusão terá de ser aprovada pelo Congresso:

- Não pode ser feita em uma canetada.

Quadros afirma que os fundos de pensão não teriam recursos em caixa para alavancar uma empresa desse porte. E diz que faltam garantias de que o "esforço nacional" não acabe transferido ao capital externo.

Para Gurgel, ao propor a criação da empresa com uma golden share (direito de veto em alguns temas), o governo concluiu que deve ter domínio de um setor estratégico. Fontes do governo dizem que essa é a idéia: depois da "invasão estrangeira" (Telefónica, América Móvil etc.), é hora de o Brasil se posicionar no setor. Um importante integrante do governo garante que não é uma proposta de reestatização.

A Telemar Participações aumentou a oferta pela recompra de ações da Tele Norte Leste Participações no próximo dia 14, o que, para analistas, facilitará a aprovação dos acionistas à fusão com a BrT. O preço por papel foi de R$35,09 para R$45.

(*) Com Bloomberg News