Título: Petrobras já negocia com Unipar
Autor: Ordoñez, Ramona e Nogueira, Danielle
Fonte: O Globo, 07/08/2007, Economia, p. 23

FUSÃO VERDE-AMARELA

Por causa de dívidas, compra da Suzano Petroquímica pela estatal chega a R$4,18 bi.

APetrobras já iniciou as negociações com o grupo Unipar para uma possível fusão na empresa que surgirá da compra da Suzano Petroquímica, e da qual deverá fazer parte, ainda, o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em construção em Itaboraí. O principal objetivo da Petrobras, com a aquisição, foi criar no Sudeste uma empresa petroquímica forte o suficiente para competir com a Braskem (líder nos pólos do Nordeste e do Sul), tanto no mercado brasileiro como no exterior, segundo o diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa. Ele garantiu que a Petrobras (que tem uma pequena participação na Braskem) não pretende reestatizar o setor e que pagou o preço justo pela Suzano Petroquímica. O valor da operação chega a R$4,18 bilhões, acima dos R$2,7 bilhões anunciados sexta-feira. Flávio Valadão, do ABN Amro, que participou da operação, explicou que a estatal está assumindo dívidas de R$1,48 bilhão.

Costa explicou que a idéia é formar uma única empresa no Sudeste, e que o passo seguinte seria a entrada da Unipar ou de outros grupos privados. Essa nova empresa, ainda sem nome, vai se juntar ao Comperj, hoje formado por Petrobras e grupo Ultra.

- Nosso objetivo é ajudar a criação de uma indústria petroquímica nacional forte, com dois grupos em condições de competir. Não queremos ser monopolistas de petroquímica. Estamos permitindo uma alavancagem do crescimento da indústria petroquímica brasileira. Ou as empresas petroquímicas são competitivas em nível mundial ou estão com futuro comprometido. Além disso, queremos voltar a participar na indústria de segunda geração, mas de forma minoritária - destacou Costa.

Suzano e Unipar não chegavam a acordo

O presidente da Petroquisa (subsidiária da Petrobras para petroquímica), José Lima Neto, disse que o pólo do Sudeste terá capacidade de produzir, anualmente, 1,8 milhão de toneladas de polietileno e 1,7 milhão de toneladas de polipropileno, as duas principais matérias-primas do setor. Os dois outros pólos, controlados pela Braskem, têm capacidade para produzir 1,8 milhão de toneladas de polietileno e 1 milhão de toneladas de polipropileno.

- A Petrobras rompeu a inércia, fez a bola rolar - afirmou Lima Neto, ao comentar que a companhia tomou a decisão da compra diante do impasse entre Unipar e Suzano.

Para Otávio Carvalho, sócio-diretor da consultoria Maxiquim, especializada em petroquímica, a compra não é um indício de reestatização, mas a alternativa encontrada pela estatal para solucionar os problemas que impediam a consolidação do pólo do Sudeste. Na avaliação de Carvalho, as duas empresas privadas que poderiam liderar esse processo, Unipar e Suzano, não conseguiam chegar a um consenso, levando a Petrobras a tomar a dianteira das negociações.

Controladas pelas famílias Geyer e Feffer, respectivamente, Unipar e Suzano se desentendiam quanto à posição de consolidadora ou consolidada, ou seja, quem compraria quem. Para o consultor, a decisão da Suzano de vender seus ativos à Petrobras deve-se ao elevado prêmio pago pela estatal: R$2,1 bilhões vão diretamente para os cofres da família Feffer, que, agora, poderá incrementar seus negócios na área de papel e celulose.

- A Suzano atuava em dois ramos de capital intensivo. Agora, poderá se dedicar a um só e avançar nessa atividade - acredita Carvalho.

Com a compra da Suzano, restariam dois grupos privados capazes de avançar no processo de consolidação do pólo do Sudeste, ao lado da Petrobras: Unipar e Ultra. Como este último já é sócio da Petrobras no Comperj, Carvalho avalia que o Unipar seria o parceiro natural:

- O Ultra está comprometido com dois projetos grandes, o Comperj, avaliado em US$8,3 bilhões, e a estruturação da rede de postos da antiga Ipiranga. A empresa integrou o consórcio que adquiriu a Ipiranga e ficou com parte da rede.

O Comperj vai integrar a primeira e a segunda gerações petroquímicas. A matéria-prima para a produção não será a nafta, mas o petróleo. A unidade está em fase de licenciamento ambiental. Das oito licenças previstas, apenas duas foram licitadas e ganhas pela empresa de engenharia Concremat. A previsão é que as obras sejam iniciadas em 2008.

Costa disse desconhecer qualquer vazamento de informações na compra da Suzano Petroquímica, pelo menos por parte da estatal. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) investiga a suspeita de vazamento de informações sobre a operação, diante do aumento em quase sete vezes do volume diário registrado pelas ações nos dias anteriores ao anúncio.

Ontem, as ações preferenciais (PN, sem direito a voto) da Suzano Petroquímica abriram com valorização de 12,23%. Os papéis encerraram o pregão a R$9,80, em alta de 9,99%, enquanto o Índice Bovespa subiu apenas 0,46%. O valor está ainda abaixo dos R$10,76 que os donos de ações PN devem receber por seus papéis. As ações PN da Petrobras subiram 0,08%.

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