Título: Boxeadores dizem que não queriam deixar Cuba
Autor: Awi, Fellipe
Fonte: O Globo, 10/08/2007, O País, p. 10
Oferta de agenciador teria sido recusada.
HAVANA. Em mais uma versão sobre a fuga do Pan, os boxeadores Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara disseram ao jornal oficial cubano "Granma" que jamais tiveram a intenção de não retornar a Cuba, e que só não competiram porque se sentiram mal após beberem e comerem em companhia do alemão Thomas Doering e de um cubano (na verdade, espanhol) chamado Alex. Segundo Lara, ele e Rigondeaux foram abordados na vila pelo alemão e pelo suposto cubano, que servia de intérprete.
- Achávamos que os dois só queriam nos ajudar dando dicas de compras. Eles tinham credenciais de jornalistas. Como os cubanos que vivem fora sempre ajudam outros cubanos, não desconfiamos. No táxi, nos deram bebidas. Fizemos compras e fomos a um bar. Mais tarde, depois de muita bebida, fomos a uma boate - disse Lara.
Segundo eles, como as competições eram no dia seguinte, ambos ficaram com medo de voltar à vila e serem reprovados no teste do peso, já que tinham comido muito.
- Estávamos mal, enjoados com a bebida. Além disso, tínhamos comido demais e sabíamos que seriamos reprovados no peso, o que é infração grave. Por isso, resolvemos não voltar à vila e continuarmos na noite com eles. Os dois chamaram várias mulheres - contou Lara.
Segundo Rigondeaux, ainda no bar o alemão disse que se eles fossem para a Alemanha ganhariam muito dinheiro. Os dois teriam recusado. Depois, fizeram festas em hotéis de Niterói e Araruama:
- O tempo todo eles tentaram nos convencer a trabalhar na Alemanha. Mas dizíamos que somos cubanos e que nada nos faria deixar nosso país. Até que desistiram e nos deixaram (em Araruama) na companhia de lutadores brasileiros de vale-tudo. Mas eles também se foram logo depois. Foi quando pedimos ajuda para chamar a polícia.
Eles ainda disseram que a Polícia Federal tentou convencê-los a ficar no Brasil, dizendo que teriam direito a passaportes e ganhariam mais dinheiro que em Cuba. O Ministério da Justiça informou que a resposta para a acusação está nos depoimentos dos dois. Neles, consta que a PF apenas perguntou se os dois queriam permanecer no Brasil. Eles disseram que não, alegando que estavam com saudades das famílias.