Título: Em busca de esclarecimentos
Autor: Amorim, Diego; Alves, Renato
Fonte: Correio Braziliense, 10/03/2009, Cidades, p. 25
A Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal de Goiás (UFG), o Museu Nacional do Rio de Janeiro e a Força Aérea Brasileira (FAB) investigam o fenômeno. Nenhum descarta a hipótese de ser um meteorito. ¿Mas só temos a constatação quando é encontrado algum pedaço dele¿, afirmou a responsável pelo setor de meteoritos do Museu Nacional, a astrônoma Maria Elizabeth Zucolotto. A instituição é referência no estudo de meteoritos no Brasil. No entanto, o diretor do Planetário da UFG, o astrofísico Juan Marques Barrio, diz que nem mesmo imagens são suficientes para esclarecer fenômenos, pois ¿as nuvens podem tornar tudo muito diferente¿.
Barrio descartou a possibilidade de o Ovni ser um satélite artificial em órbita bem próxima e visível ao olho nu. ¿Os radares da Aeronáutica não registraram nada. Também é difícil ser um avião, por causa do clarão¿, comentou. O objeto pode ser um meteorito ou um pedaço do cometa Lulin, segundo Barrio. ¿Não é difícil que se desprenda um pedaço do cometa. Nesse caso, a entrada na atmosfera produz um estrondo. Como é feito de gelo, ele derrete antes de atingir o solo¿, explicou. Os radares da FAB não registaram nenhum fenômeno atípico no dia e hora que os moradores avistaram o Ovni sobre Goiás e Brasília.
Sinal detectado O Observatório Sismológico da UnB não registrou tremores de terra em Brasília nem no norte de Goiás na noite de sábado. No entanto, às 19h49, a estação de infrassom identificou um sinal a 26º a nordeste de Brasília. São Domingos fica a 36º nessa direção. ¿Só teremos certeza de que foi um meteorito se acharem alguma coisa. Mas tudo indica que sim¿, comentou o engenheiro do observatório Lucas Moreira, especialista em processamento digital de sinais.
O meteorologista do Inmet Hamilton Carvalho não viu nada no sábado e não crê em meteorito. ¿Algumas descargas elétricas podem ganhar tonalidades verdes, azuis¿, observou. A FAB informou que a Autoridade Operacional de Defesa Aeroespacial (Aoda), do Comando de Defesa Aeroespacial, não registrou qualquer Ovni na noite de sábado.
COMETA COM DUAS CAUDAS Esverdeado, rápido, vindo de longe, circulando no sentido oposto ao dos planetas e com duas caudas, o cometa Lulin pôde ser visto no céu com brilho máximo na madrugada de 24 de fevereiro último, com ajuda de binóculos. Nesse dia, ele chegou a 60 milhões de quilômetros da Terra. Descoberto em 2007 por um grupo de astrônomos de Taiwan e da China, ele não deve orbitar a Terra nos próximos milhões de anos. O nome original do cometa é Lulin c/2007. A letra ¿c¿ indica que o corpo celeste tem uma órbita que dura mais de 200 anos.