Título: PF recusa recompensa por prisão de colombiano
Autor: Carvalho, Jailton de
Fonte: O Globo, 11/08/2007, O País, p. 15
Documentos da agência americana antidrogas previam prêmio de US$5 milhões por captura de Ramírez Abadía.
BRASÍLIA. A direção da Polícia Federal anunciou ontem que não poderá receber a recompensa de US$5 milhões oferecida pelo governo dos Estados Unidos a quem ajudasse na prisão do colombiano Juan Carlos Ramírez Abadía, apontado como um dos maiores traficantes de cocaína do mundo. A polícia informa que não existe previsão legal para esse tipo de transação. A cúpula da instituição argumenta também que o combate ao narcotráfico e à lavagem de dinheiro é atribuição constitucional da PF.
- A polícia não pode trabalhar na expectativa desse tipo de recompensa - disse um assessor da direção da PF.
A oferta do prêmio de US$5 milhões estava prevista em documentos do DEA (Drug Enforcement Administration) relacionados às buscas internacionais pelo traficante colombiano. A legislação brasileira não prevê pagamento extra a serviços executados pela Polícia Federal. Os recursos para a PF estão reservados no Orçamento da União.
A assessoria de imprensa informou que nenhum policial foi autorizado a falar sobre o assunto em nome da instituição. No início da semana, um delegado teria dito, em São Paulo, que a PF iria receber o dinheiro do governo americano.
Ramírez Abadía foi preso na terça-feira na mansão em que morava em Barueri, São Paulo. Ele estava foragido desde 2002, quando escapou de um presídio na Colômbia. O traficante está preso na superintendência da PF em São Paulo. A PF ainda não sabe se Ramírez Abadía permanecerá em São Paulo ou se será levado para Brasília ou para um presídio federal.
A decisão depende do Supremo Tribunal Federal (STF). Abadía é apontado como o sucessor de Pablo Escobar no comando do narcotráfico internacional. Segundo informações da Polícia Federal, só entre 1990 e 2004 ele exportou R$10 bilhões em cocaína da Colômbia para os Estados Unidos. Em 1996, ele teria enviado 30 toneladas de cocaína para Nova York e mais 40 toneladas para o Colorado. A partir do comércio da droga, Ramírez Abadía teria acumulado um patrimônio avaliado em R$3,4 bilhões, o que o coloca na lista dos homens mais ricos da América Latina.