Título: Segundo FMI, crise é 'administrável' e 'salutar'
Autor: Passos, José Meirelles
Fonte: O Globo, 11/08/2007, Economia, p. 39

Fundo tenta tranqüilizar mercados e afirma que está ocorrendo um "restabelecimento da disciplina de crédito".

WASHINGTON. A impressão, ontem, era de que, ao ampliar o socorro prestado às instituições financeiras, os bancos centrais de Estados Unidos, Europa, Canadá, Japão e Austrália tinham coordenado as suas ações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) - que monitora também a economia daqueles países - no sentido de evitar o pânico. Era clara a preocupação de ambos os lados em assegurar que a crise é temporária e está sob controle.

"O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) fornecerá tantas reservas quanto for necessário através de operações de mercado aberto", dizia a primeira frase do comunicado de apenas cinco linhas emitido ontem pelo Fed.

O FMI, por sua vez, classificou a crise como "conseqüências sistêmicas da reavaliação do risco de crédito", e garantiu que ela é "administrável". O órgão a definiu ainda como "o restabelecimento da disciplina". A nota, emitida por Masood Ahmed, porta-voz do Fundo, em tom tranqüilizador, ia além e dizia que o solavanco dos últimos dois dias era salutar:

"Os fundamentos que sustentam o sólido crescimento global permanecem no lugar, e o restabelecimento da disciplina de crédito que está ocorrendo é um desenvolvimento saudável".

Os especialistas do setor privado pareciam concordar. Uma pesquisa feita pelo WSJ.com, o site do "Wall Street Journal", mostrou que 65% dos economistas acreditam que o pior da crise hipotecária já passou.

Ken Goldstein, economista do Conference Board Inc., com sede em Nova York e que produz o Índice de Confiança do Consumidor, acha que o contágio do setor de hipotecas de alto risco (subprime) não seria suficiente para "tirar a economia dos trilhos".

- A idéia de que o consumidor médio está esperneando com a perspectiva de perder a sua casa ou boa parte de seu dinheiro é equivocada. Nada mais do que 15% do mercado hipotecário estão em perigo - afirmou Goldstein.

Estados anunciam ajuda para refinanciamentos

Outro aspecto que tem evitado o pânico é o de que 36% das empresas americanas se preocuparam em se capitalizar mais desde que se tornou aguda a crise imobiliária, para evitar contágios. Elas têm em caixa hoje mais do que tinham seis meses atrás. O problema seria elas reterem esse dinheiro por um longo período:

- O atual clima de investimentos e as condições econômicas ainda não apresentaram um argumento convincente para as companhias de que devem investir, em vez de preservar capital - disse Jeff Glenzer, diretor-executivo do Conselho de Tesoureiros Corporativos, sediada em Bethesda, Washington.

Para evitar o pior, seis estados - Maryland, Massachusetts, Nova Jérsei, Nova York, Ohio e Pensilvânia - anunciaram que pretendem utilizar pouco mais de US$500 milhões para ajudar proprietários de casas com hipotecas de alto risco a refinanciarem seus contratos, obtendo melhores condições de pagamento.