Título: Zuanazzi diz que cobrança é injusta
Autor: Éboli, Evandro e Doca, Geralda
Fonte: O Globo, 14/08/2007, O País, p. 4

Presidente da Anac afirma que rigor não é o mesmo com outras agências.

BRASÍLIA. Pela primeira vez, desde o início da crise aérea, o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, demonstrou incômodo e impaciência com as críticas a seu trabalho. Em audiência no Senado, ele disse que é injusta a cobrança contra a Anac e afirmou que o mesmo rigor não existe em relação às outras agências reguladoras do país. Para ele, estaria havendo perseguição política à Anac.

- Estereotiparam que toda a responsabilidade está nas costas da Anac. É injustiça. Por que não dão o mesmo tratamento às outras? Por que não dão tratamento idêntico para a ANTT quando há acidente nas estradas? Por que não com a Antaq, quando há acidente nas rodovias? Não seria o mesmo que culpar a ANP por um problema em plataforma de petróleo? - queixou-se Zuanazzi, após a pergunta do senador Garibaldi Alves (PMDB-RN).

Após o desabafo de Zuanazzi, Garibaldi respondeu:

- Vamos responsabilizar quem, então? Não é fazer da Anac bode expiatório, mas é dar a César o que é de César. Mas o senhor há de reconhecer que estar aqui é mais prazeroso que na CPI - rebateu Garibaldi, relator da área de aviação na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

A criação de um sistema de controle de gestão e de mecanismos de suspensão dos mandatos dos diretores das 10 agências reguladoras será debatida amanhã no plenário da Câmara dos Deputados com especialistas, parlamentares e representantes de algumas dessas agências. As denúncias de ineficiência e má-gestão da Anac motivaram a iniciativa de se fazer um grande debate no plenário da Câmara, que poderá contar, inclusive, com a participação de cidadãos comuns e usuários de serviços regulados por essas agências. Até agora não há confirmação de participação de diretores da Anac.

O brigadeiro Ramon Cardoso, diretor-geral do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), afirmou que os equipamentos de controle de vôos no país estão no mesmo nível de países da Europa e também dos Estados Unidos. Mas o brigadeiro contou que há problema de profissionais.

- Há uma deficiência na quantidade de técnicos e engenheiros para trabalhar na manutenção. Isso não compromete a segurança, mas é problema para o crescimento no setor, com o aumento do número de aeronaves voando - disse o diretor do Decea.

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