Título: Preso ex-deputado da máfia dos sanguessugas
Autor: Carvalho, Jailton de e Pinto, Anselmo Carvalho
Fonte: O Globo, 14/08/2007, O País, p. 11
Lino Rossi, do PP de Mato Grosso, foi preso pela PF no aeroporto de Brasília e é acusado de 108 atos de corrupção.
BRASÍLIA e CUIABÁ. A Polícia Federal prendeu ontem à tarde, no aeroporto de Brasília, o ex-deputado Lino Rossi (PP-MT), apontado como um dos integrantes da máfia dos sanguessugas. A ordem de prisão foi expedida pelo juiz Jeferson Schneider, da 2ª Vara Federal de Mato Grosso, onde está o centro das investigações sobre a organização que desviava dinheiro do Orçamento para a compra de ambulâncias superfaturadas.
No decreto de prisão, Schneider relaciona Rossi a pelo menos 108 atos de corrupção. O ex-deputado foi denunciado pelo Ministério Público Federal por lavagem de dinheiro, corrupção passiva, fraude em licitação e formação de quadrilha. Agora, é também acusado de obstrução da Justiça.
A ordem de prisão foi expedida quinta-feira, porque o ex-deputado estaria se recusando a depor. Um oficial de Justiça tentou localizá-lo em vários endereços nas últimas semanas. O oficial tentou falar com Rossi até por telefone, mas não conseguiu.
O ex-deputado é acusado de ter recebido pelo menos R$3 milhões dos empresários Darci e Luiz Antônio Vedoin, donos da Planam, com sede em Cuiabá. A empresa fraudava a venda de ambulâncias para prefeituras de vários estados, com verbas do Orçamento da União.
"Esgotadas todas as tentativas de citação e intimação do acusado e, por outro, não podendo o processo ter regular continuidade - instrução criminal e aplicação da lei penal - sem a presença do acusado que se encontra em lugar incerto, não há outra alternativa senão a prisão cautelar", escreveu o juiz no despacho.
A PF prendeu Rossi quando ele se preparava para embarcar num vôo para São Paulo. Algemado, ele foi levado à carceragem da PF. Hoje, será transferido para presídio em Cuiabá. Segundo o delegado José Maria da Fonseca, superintendente adjunto da PF em Mato Grosso, a audiência deve ser realizada ainda esta semana, em Cuiabá.
O ex-deputado é apontado como um dos integrantes do núcleo básico da organização chefiada pelo empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin. Para a PF e o Ministério Público, ele tinha como papel apresentar a Vedoin parlamentares interessados em aderir ao esquema.
Pelas informações da Operação Sanguessuga, parlamentares apresentavam emendas para financiar prefeituras do interior do país que pudessem comprar ambulâncias da Planam. As vendas eram feitas a partir de licitações direcionadas. Em troca do favor, os parlamentares recebiam até 15% do valor da emenda. Em 2005, quando as fraudes vieram a público, mais de 70 parlamentares foram acusados de envolvimento com a chamada máfia dos sanguessugas. A maioria não se reelegeu.
* Especial para O GLOBO
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