Título: 'Vamos viver de susto em susto', diz Paulo Nogueira
Autor: Frish, Felipe
Fonte: O Globo, 15/08/2007, Economia, p. 23

Mantega e Meirelles vêem tranquilidade para o Brasil, apesar da turbulência externa.

BRASÍLIA. O representante do Brasil no Fundo Monetário Internacional (FMI), Paulo Nogueira Batista Júnior, diz que a crise recente nas bolsas mostrou que há falhas na regulação do mercado financeiro, que se sofisticou.

- As operações são complexas, são novas, não há estatísticas adequadas. Os supervisores e reguladores bancários e financeiros não estão a par de todos os riscos envolvidos, da cadeia de ligações entre os segmentos do mercado financeiro. A situação é preocupante - disse Batista Júnior. - O episódio do BNP Paribas (banco europeu que teve prejuízos em alguns fundos) foi marcante - acrescentou.

Ele avalia que ninguém sabe qual será a duração da crise atual:

- Tenho a impressão que vamos viver de susto em susto. Tivemos um susto em fevereiro, outro em agosto.

Batista Júnior não descarta que a crise financeira possa afetar a economia real, ou seja, a expansão econômica mundial. Mas, pelo menos, as turbulências atuais tiveram um efeito benéfico, na sua avaliação, que foi a alta do dólar.

- Precisa vir o mundo abaixo para o câmbio brasileiro consertar um pouco - brincou o economista. - A valorização do real foi longe demais.

O efeito colateral positivo sobre o câmbio, que fechou ontem em forte alta, também foi apontado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, para quem o movimento "não é ruim":

- Não trabalhamos com um patamar preestabelecido de dólar. Isso depende. O dólar é flutuante. O que estamos vendo agora é que ele flutua para cima também. Todos diziam que só flutuava para baixo e agora está provado que flutua para cima.

Mantega considera que o comportamento da moeda americana nos próximos dias será imprevisível mas que essa alta relativa não deve afetar a inflação. Segundo o ministro, o único efeito da crise até o momento é sentido aos empresários que planejam financiamento exterior.

- O empresário brasileiro que vai tentar fazer uma colocação de títulos neste momento vai pagar taxa maior porque o mercado está cobrando juros maiores. Ao meu ver, é uma situação passageira. O próprio risco Brasil cresceu nesses dias.

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, também minimizou a crise:

- O mercado está funcionando na mais absoluta normalidade no Brasil e estamos monitorando cuidadosamente os mercados internacionais.