Título: Senador se anima com nova defesa de Lula
Autor: Vasconcelos, Adriana
Fonte: O Globo, 16/08/2007, O País, p. 12

Renan reitera que não deixará o cargo.

BRASÍLIA. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), reiterou ontem sua disposição de permanecer no cargo. Segundo ele, qualquer licença o fragilizaria, ainda mais depois de uma sangria de 80 dias. Ele se mostrou animado com a informação de que o presidente Lula mais uma vez saiu em sua defesa.

- Lula já fez isso quatro ou cinco vezes, o que demonstra que temos relação mais do que política, pessoal. Mas ele não tem compromisso com o erro. Nem eu. Se houver erro da minha parte, o presidente não terá o compromisso de me defender - disse o senador.

Lula disse, em conversa com jornalistas, que o processo contra Renan só não foi resolvido em uma semana porque existe um grupo que aposta na máxima do "quanto pior, melhor". O senador insiste na tese que está sendo vítima de processo político:

- Nunca imaginei sangrar tanto! Já são 80 dias.

Renan admitiu ter recebido propostas formais de partidos para que renunciasse ao mandato de presidente do Senado ou que, pelo menos, tirasse licença.

- A licença me fragilizaria e significaria um prejulgamento. Se encontrarem alguma prova contra mim, eu saio, caso contrário vão ter de sujar as mãos de sangue e me tirar no voto.

Com dificuldades para esconder a irritação, Renan tentou minimizar o depoimento hoje do empresário João Lyra, que será ouvido pelo corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), em Maceió. O empresário deverá confirmar que ele e Renan usaram laranjas para comprar a JR Rádio Difusora de Alagoas.

- Quero saber se ele (João Lyra) vai depor algemado ou não - ironizou: - Qual a expectativa que eu teria para o depoimento de um homicida?