Título: Mônica diz que recebeu R$418 mil em dinheiro
Autor: Vasconcelos, Adriana
Fonte: O Globo, 16/08/2007, O País, p. 12

Mãe de filha de Renan Calheiros entrega documentos ao Conselho de Ética do Senado para provar repasses.

BRASÍLIA. Pivô da crise enfrentada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a jornalista Mônica Veloso encaminhou ao Conselho de Ética da Casa uma relação de documentos que, segundo ela, comprovam que recebeu do senador, entre 15 de março de 2004 e 5 de agosto de 2007, R$418.853,20.

A maior parte desses recursos teria sido entregue em dinheiro vivo à jornalista pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior, e refere-se ao pagamento de pensão alimentícia para a filha que Renan teve com a jornalista. É esse dinheiro que Renan precisa comprovar que pagou com recursos próprios.

Dados de Mônica atrasaram conclusão do laudo da PF

Os comprovantes de depósitos feitos pela própria jornalista em sua conta bancária e um relatório explicando a movimentação financeira de Mônica, assinado por seu advogado, Pedro Calmon, foram encaminhados ontem à Polícia Federal e deverão ser cruzados com os documentos de defesa apresentados por Renan. O senador tenta provar que o dinheiro da pensão pago à jornalista saía de suas próprias contas bancárias, e não da empreiteira Mendes Júnior.

A documentação de Mônica foi apontada como um dos fatores que levaram os peritos da PF a solicitar o adiamento, de hoje para segunda-feira, do prazo para entrega de suas conclusões.

O primeiro pagamento feito por Renan, de acordo com os documentos apresentados pela jornalista, teria sido no dia 15 de março de 2004, no valor de R$43.200. Segundo explicações do advogado de Mônica, esse dinheiro teria sido usado para pagar o aluguel de uma casa em que morou por um ano, até março de 2005. O pagamento informal da pensão da filha de Renan teria começado em abril de 2004, quando a jornalista passou a receber R$12 mil mensais do senador. Entre os comprovantes apresentados por Mônica estão notas de pagamento para duas empresas de segurança - Grupo Griffo e Artec Service - que variam de R$1.050,00 a R$3.326,43.

Em novembro de 2005, o lobista Gontijo teria parado de fazer o pagamento da pensão. Nessa época, o advogado de Renan, Eduardo Ferrão, teria feito uma oferta de pensão alimentícia de R$3 mil, que foram pagos até maio de 2006. Nos dias 24 de maio e 27 de junho de 2005 teriam sido efetuados mais dois pagamentos, cada um de R$50 mil. Mônica diz que esses dois pagamentos se referiam aos valores atrasados. Já Renan apresentou recibos assinados pela jornalista que, segundo ele, indicam que os R$100 mil serviriam para a constituição de um fundo de educação para sua filha. Em maio passado, a pensão paga à jornalista foi fixada pela Vara de Família em R$7 mil.

Ontem, a liderança do PT na Câmara, para ajudar Renan, começou a coletar assinaturas para uma CPI para investigar a venda da TVA para a Telefônica e as circunstâncias em que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) concedeu autorização prévia para a transação comercial. Os deputados petistas eram procurados individualmente no plenário, na noite de ontem, por dois funcionários do gabinete do líder Luiz Sérgio (RJ), pedindo apoio à criação da CPI. Renan tem levantando suspeitas sobre a venda da TVA, pela Editora Abril, para a Telefônica.

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