Título: Economia real sente efeitos do dólar
Autor: Rodrigues, Luciana e Duarte, Patrícia
Fonte: O Globo, 16/08/2007, Economia, p. 24
Exportadores ganham impulso e empresas adiam lançamento de ações.
A valorização de quase 10% do dólar desde o fim de julho terá reflexos na balança comercial de agosto, dizem economistas. Na opinião de José Cezar Castanhar, professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (Ebape) da Fundação Getulio Vargas (FGV), os exportadores estão antecipando o fechamento de contratos para aproveitar o câmbio mais favorável. Já os importadores, caso a divisa continue ganhando terreno frente ao real, podem reduzir o volume de compras momentaneamente.
Além disso, segundo os economistas, a crise no mercado de hipotecas de alto risco dos EUA (as chamadas subprime) afeta os negócios das empresas. Muitas estão adiando seu planejamento, emitindo menos títulos e postergando a abertura de capital. Na terça-feira, a Cyrela Commercial Properties pediu à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o cancelamento de sua abertura de capital. No fim de julho, a Aliansce Shopping Center desistiu de lançar ações.
- A crise no mercado de crédito já começa a afetar a economia real. A alta do dólar impulsiona as exportações e retrai as importações. A baixa liquidez faz com que as empresas cancelem a emissão de títulos no mercado. O risco-Brasil tem subido porque os títulos de empresas estão registrando perdas - diz Castanhar.
Especialista alerta sobre preços de níquel e cobre
Para José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), a crise imobiliária dos EUA abalou os preços das commodities metálicas. Em agosto, até dia 10, o preço do níquel caiu 19,48% e o do cobre, 8,63%.
- Se os preços dos minerais metálicos continuarem a cair, o dólar terá forte impacto. Hoje, as commodities respondem por 65% das exportações do país - afirma Castro.
Segundo Marcel Pereira, economista-chefe da RC Consultores, e Margarida Gutierrez, professora de macroeconomia da Coppead/UFRJ, a dúvida é saber se o dólar vai ter fôlego para continuar acima dos R$2 por muito tempo. Por isso, os exportadores antecipam o fechamento de contratos.