Título: Mais de US$2 trilhões viraram pó nas bolsas de EUA e América Latina
Autor: Rosa, Bruno
Fonte: O Globo, 17/08/2007, Economia, p. 23
TREMOR GLOBAL: No mercado americano, perdas superam US$1,6 trilhão.
Bolsa de São Paulo perdeu US$273 bilhões do dia 19 de julho até ontem.
O receio de que a crise no mercado de crédito imobiliário dos EUA chegue à economia real já varreu do mapa US$2,027 trilhões (ou R$4,114 trilhões) nas bolsas da América Latina e dos Estados Unidos desde o dia 19 de julho. De acordo com dados da Economática, as 316 empresas brasileiras da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) perderam US$273,6 bilhões (ou R$571 bilhões) em valor de mercado até ontem.
Para se ter uma idéia de quanto representa essa perda, a cadeia de fast food McDonald"s está avaliada em US$53 bilhões. Já as 1.204 empresas das bolsas de valores do Estados Unidos, segundo a consultoria, viram sumir cerca de US$1,612 trilhão (ou R$3,272 trilhões). No México, segundo mercado mais importante da América Latina, houve perdas de US$76,4 bilhões (ou R$159,6 bilhões).
Para analista, ação dos BCs adiou intensificação da crise
Segundo analistas, a seqüência de perdas nas bolsas é inevitável. Para Jason Vieira, economista-chefe da UpTrend, ainda não se sabe qual é o tamanho do rombo que será deixado pelos bancos que estão com papéis lastreados em crédito imobiliário de alto risco (as chamadas subprime) dos EUA.
- A situação está muito complicada. Em dias de forte nervosismo, não há parâmetro. Porém, ainda é cedo para avaliar todas as perdas. Até hoje (ontem), as bolsas ainda não tinham reagido de forma intensa à crise do crédito. Antes, estavam apenas voláteis. É importante avaliar o quanto as empresas já ganharam. Se os bancos centrais não tivessem entrado no fim da semana passada, o que estamos vendo já teria acontecido - diz Vieira.
De acordo com a Economática, as 775 empresas dos sete principais mercados da América Latina (México, Venezuela, Colômbia, Peru, Chile, Argentina e Brasil) apresentaram queda total de US$415 bilhões (ou R$842,4 bilhões).
Na opinião de Alexandre Póvoa, diretor da Modal Asset, essa crise não é mais passageira. Para ele, com a baixa liquidez internacional, a aversão a risco está cada vez maior. Com isso, muitas pessoas estão sacando seus recursos dos fundos.
- Estamos em um momento de reavaliar o risco. As perdas vão continuar. Os bancos centrais estão atuantes no mercado para evitar que essa turbulência financeira se transforme em uma crise econômica - afirma Póvoa.
Para analistas, é comum que as empresas americanas registrem maiores perdas. Primeiro, porque elas estão no centro do furacão e, segundo, porque seus papéis são os mais negociados do planeta.
Cinco maiores dos EUA têm perdas de US$190 bi
Pelos dados da Economática, as cinco maiores empresas americanas (Exxon Mobil, General Electric, Microsoft, Citigroup e Chevron Texaco) acumulam quedas de US$190,1 bilhões entre os dias 19 de julho e 15 de agosto. O valor, ressalta a consultoria, é maior que o da maioria dos emergentes latinos. José Goes, sócio-gestor da Mandarim, ressalta que os números indicam perda de riqueza, já que o estoque total de ações é o mesmo.
- Tudo isso é reflexo da falta de confiança do investidor - diz Goes.