Título: Perdas de fundos ultrapassam 30%
Autor: Rosa, Bruno e D'Ercole, Ronaldo
Fonte: O Globo, 18/08/2007, Economia, p. 33
Oscilação de carteiras de ex-diretores do BC ficou entre as maiores.
O estresse no mercado financeiro fez alguns fundos de investimento amargarem significativas perdas. As carteiras administradas por gestores com passagem pelo Banco Central (BC) - como Armínio Fraga (ex-presidente) e Luiz Fernando Figueiredo (ex-diretor) - ficaram entre as que tiveram as maiores perdas.
O principal fundo da Mauá, o Mauá Multimercado, de Figueiredo, teve perda acumulada de 10,23% desde o início das turbulências, em 23 de julho, até quinta-feira, 16 de agosto, quando a bolsa brasileira chegou a cair 8,82%. No período, as cotas do fundo de ações Mauá Bolsa caíram 25,93%, e o Índice Bovespa, principal indicador do mercado de ações, 17,27%.
- Nossos clientes conhecem os riscos. Os multimercados têm oscilação maior. No ano passado fomos os primeiros da indústria de fundos - defende Figueiredo.
Estratégias levaram a altas perdas e a ganhos também
Multimercados podem aplicar em diferentes produtos, de títulos públicos a ações, dólar, mercado de opções e índices.
Até a última quarta-feira, dia 15, o Gávea Ações, de Fraga, acumulava desvalorização de 9,69%, frente a um Ibovespa negativo em 15,08% (até ontem a gestora não havia divulgado a cota do dia 16). Já o Gávea Multimercado perdia 4,75%. Procurado, Fraga não retornou a ligação.
Outro fundo que esteve entre as maiores perdas (32,88% até o dia 16) foi o Midi 90, do Opportunity, onde atua o ex-diretor de Política Econômica do BC Afonso Bevilaqua.
- Hoje (ontem), o fundo já ganhou 6% e antes dessas oscilações subia 12% no ano. As estratégias são agressivas - justifica Dório Ferman, gestor e sócio do Opportunity, que respondeu pelo banco, já que Bevilaqua só assumiu no início do mês.