Título: Ainda sob efeito Fed, Bolsa sobe 1,33%
Autor: Rosa, Bruno
Fonte: O Globo, 21/08/2007, Economia, p. 21

BCs americano, japonês e australiano voltam a injetar dinheiro nos mercados.

RIO, TÓQUIO e NOVA YORK. O mercado financeiro teve ontem mais um dia de trégua da turbulência provocada pelo setor de crédito americano, em parte ainda refletindo o alívio da sexta-feira com o anúncio pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de redução da taxa de redesconto - juros cobrados pelo BC nos empréstimos a bancos comerciais -, de 6,25% para 5,75% ao ano. Em São Paulo, o principal indicador da Bolsa encerrou o dia em alta de 1,33%, aos 49.260 pontos.

Já o dólar ficou praticamente estável, com leve alta de 0,1%, a R$2,029 na venda, após oscilar entre a mínima de R$2,000 (queda de 1,33%) e a máxima de R$2,062 (alta de 1,73%). Mais uma vez, o Banco Central não fez o seu tradicional leilão para compra de dólares. Se isso se repetir hoje, o BC completará uma semana fora do mercado. Uma notícia que causou volatilidade foi a de que o Deutsche Bank teria feito uso da linha de crédito emergencial fornecida pelo Fed, diz o diretor da corretora Pioneer João Medeiros.

- Ninguém vai ao redesconto se não precisa de dinheiro - avalia Medeiros, contestando a nota do banco de que teria aderido apenas em apoio ao Fed.

Apesar do dia de muita oscilação, o Ibovespa passou o dia no azul - chegou a subir 2,09% - e superou até as bolsas dos EUA. O Dow Jones teve queda de 0,73% no dia e fechou em alta modesta, de 0,32%. Trajetória semelhante teve a bolsa eletrônica Nasdaq, com alta de 0,14% no dia, após chegar a cair 0,57%. Diante das incertezas, o risco-Brasil encerrou o dia em alta de 3,85%, aos 216 pontos.

Em Wall Street, os investidores continuaram preocupados com o desdobramento da crise do crédito, apesar da nova injeção de recursos do Fed, de US$3,5 bilhões. A Countrywide, maior financiadora privada dos EUA, começou a demitir funcionários, segundo o "Wall Street Journal", citando um e-mail interno. Ela publicou ontem anúncios em grandes jornais americanos assegurando sua saúde financeira. Além disso, a Sentinel, que pediu concordata na sexta-feira, está sendo investigada pela Securities and Exchange Commission (SEC, o órgão regulador do mercado americano). E a Capital One anunciou que vai fechar a unidade de hipotecas no atacado e demitir 1.900 pessoas.

Na Ásia, bolsas sobem mais de 6%

A Ásia continuou sentindo os efeitos da ação do Fed na sexta-feira. Também ajudaram as injeções nos mercados do Banco do Japão, de US$8,8 bilhões, e do BC australiano, de US$2,67 bilhões. Tóquio subiu 3%, e Cingapura, 6,1%. Na Europa, os ganhos foram minimizados pelo Deutsche Bank. Londres teve alta de 0,24% e Frankfurt, de 0,4%. Os preços do petróleo recuaram devido à expectativa de que o furacão Dean poupará as plataformas do Golfo do México. O barril do Brent caiu 0,84%, a US$69,85, e o do tipo leve americano, 1,20%, para US$71,12.

Desde que a volatilidade tomou força, em 24 de julho, o risco-Brasil acumula alta de 27,81% e o dólar, de 10,15%. Já o Ibovespa acumula perda de 15,21%, puxada em parte por Petrobras e Vale do Rio Doce, que têm maior peso no indicador. As ações PN da petrolífera caíram no período 18,65% e as da mineradora, 17,72%, atingindo a rentabilidade de quem investiu o FGTS nesses papéis.

(*) Com agências internacionais