Título: Fundos perdem R$8,7 bi
Autor: Rosa, Bruno
Fonte: O Globo, 21/08/2007, Economia, p. 21
TREMOR GLOBAL
Renda fixa e multimercados têm maior volume de saques. Poupança ganha R$2,4 bi.
Os fundos de investimento já perderam cerca de R$8,7 bilhões desde que a crise no mercado de hipotecas de alto risco dos Estados Unidos (as chamadas subprime) atingiu em cheio as bolsas ao redor do mundo. O número, compilado pela Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid) a pedido do GLOBO, vai do dia 23 de julho, quando as perdas do mercado de ações começaram a se agravar, até o dia 14 de agosto, último dado disponível. No mesmo período, a poupança - considerada o investimento mais seguro - teve captação líquida positiva (depósitos menos retiradas) de R$2,4 bilhões, segundo dados do Banco Central (BC). Os fundos de renda fixa foram os mais afetados, com os saques superando os depósitos em R$8,307 bilhões. De acordo com especialistas, o forte movimento de retiradas ocorreu devido ao temor dos investidores em meio às quedas da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e à alta do dólar.
Segundo a Anbid, os fundos de renda fixa - que respondem por 24% do setor - perderam o equivalente a 2,31% de seu patrimônio líquido, de R$358,559 bilhões. No período, a rentabilidade média foi de 0,55%. Já os fundos DIs, compostos por papéis pós-fixados, atraíram R$1,418 bilhão. De acordo com especialistas, as diferenças são explicadas pelo aumento nas taxas projetadas nos contratos negociados no mercado futuro, que passaram de 10,77% ao ano, em 23 de julho, para 11,46%, em 14 de agosto. Com isso, os investidores evitam comprar papéis prefixados.
- Em momentos de crise, a taxa de juros futuros sobe porque os investidores pedem mais retorno. E, como os fundos de renda fixa aplicam em títulos prefixados, o gestor fica com um papel com rentabilidade menor do que o mercado quer comprar, por isso se desvaloriza - explica Myriam Lund, professora de finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Os fundos multimercados, que podem aplicar nos mercados de câmbio, juros e ações, estão em segundo lugar no ranking de perdas: R$902,98 milhões. A Anbid só tem informações do mercado até o dia 14, portanto os dados não incluem as fortes perdas registradas no dia 16, quando a Bovespa chegou a cair quase 9% ao longo do dia, em seu pior momento desde os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, nem a recuperação de sexta-feira e ontem.
Fundos de ações tiveram captação líquida positiva de R$20,4 milhões
Nos fundos de ações, a captação ficou positiva em R$20,41 milhões.
- Quem investe em ação no Brasil está mais maduro e sabe que o sobe-e-desce faz parte do jogo. Quem aplica em multimercados são os mais conservadores, que estão começando a buscar mais risco. Por isso, em um primeiro momento de queda, sacam suas aplicações - diz Alexandre Póvoa, diretor da Modal Asset.
O gerente de Planejamento e Marketing da Cultura Inglesa, Marcio May, de 40 anos, foi um dos que perderam dinheiro na Bolsa. Desde o fim de julho, suas aplicações acumulam perda de 20% em relação ao pico de rentabilidade. Apesar do susto, o gerente tem buscado manter a calma e está confiante na recuperação do mercado.
- Penso na bolsa como um investimento de longo prazo. Acredito na valorização dos papéis no futuro - diz May.
COLABOROU : Danielle Nogueira