Título: Perícia confirma incompatibilidades
Autor: Lima, Maria e Camarotti, Gerson
Fonte: O Globo, 22/08/2007, O País, p. 8

Renan não comprova saques para pensão.

BRASÍLIA. Laudo do Instituto Nacional de Criminalística (INC), da Polícia Federal, informa que não existem indicativos materiais de que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pagou com recursos próprios a pensão de R$12 mil mensais à jornalista Mônica Veloso, conforme o senador declarou ao Conselho de Ética. O documento sustenta que, entre os papéis entregues por Renan, não consta um único cheque, depósito ou transferência bancária que coincida em datas ou em números com os valores pagos à jornalista. Mas as informações ainda não são conclusivas.

Para os peritos, só uma investigação complementar da PF ou do próprio Conselho poderá concluir, com segurança, se Renan bancou a pensão com renda de origem declarada ou se as despesas foram pagas por um lobista. Segundo representação do PSOL ao Conselho, a pensão teria sido paga pelo lobista. Nos documentos entregues ao Conselho, Renan tenta provar que bancou a pensão com o salário de senador e renda obtida com a venda de 2.200 cabeças de gado, de suas quatro fazendas.

O laudo, entregue ontem ao Senado, sustenta que Renan tem patrimônio a descoberto. Em 2005, ele teria feito despesas e aquisições R$20 mil acima da renda declarada. Renan contraiu despesas além do que recebeu, mas não apresentou a diferença como dívida. O documento reafirma ainda incompatibilidades de datas e quantias entre notas fiscais, guias de transporte de animais e registros de vacina do rebanho que alega ter vendido.

Para a perícia, as disparidades põem em dúvida toda a renda declarada por Renan, tendo como origem a produção de suas fazendas. O primeiro laudo, concluído no início de julho, informava a inexistência de comprovantes da venda de pelo menos 500 dos 2.200 bois do rebanho. Os peritos consideram as inconsistências graves. Para eles, são indícios que reforçam a necessidade de ampliar as investigações.

O STF abriu inquérito para investigar a evolução patrimonial de Renan e autorizou o acesso do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, aos sigilos bancário e fiscal do senador nos últimos anos.