Título: Gaudenzi vai exonerar indicados políticos
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Fonte: O Globo, 22/08/2007, O País, p. 10
CRISE AÉREA: Na CPI do Senado, mulheres de controladores protestam e denunciam perseguição aos que reclamam
Novo presidente da Infraero trocará superintendentes regionais em até 15 dias; chefes de RJ e SP estão na lista
BRASÍLIA. O novo presidente da Infraero, Sérgio Gaudenzi, disse ontem que acabará com as indicações políticas para os cargos de superintendentes regionais e que trocará, em até 15 dias, os ocupantes destes postos que não são do quadro da Infraero. Dos superintendentes da estatal, dois que ocupam o cargo por critério político comandam, justamente, os dois principais centros de fluxo aeroviário do país: Rio e São Paulo.
O superintendente no Rio é o sindicalista Pedro Azambuja, ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e indicado pelo PT do Rio. O superintendente de São Paulo, Edgard Brandão Júnior, foi uma indicação do presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). Dois superintendentes-adjuntos também correm o risco de perder o cargo: Marco Aurélio Franceschi, de Porto Alegre, indicado pelo PSB, partido de Gaudenzi; e Hamilton Barros, de Recife, uma indicação petista.
Em depoimento à CPI do Apagão Aéreo no Senado, o presidente da Infraero reconheceu que ele mesmo é fruto de indicação política, mas afirmou que não há problema o uso desse critério para indicar ocupantes de cargo de alto escalão, como os diretores. Importante, segundo ele, é que os responsáveis pelo cotidiano da empresa pertençam aos quadros e tenham ingressado por concurso.
Perguntado se não tinha receio da oposição dos partidos, Gaudenzi respondeu:
- Bom, espero que compreendam.
Vestidas de preto, sete mulheres de controladores de vôo fizeram um protesto no plenário da CPI. Com uma fita preta na boca e lenços pretos amarrados nas mãos, elas exibiram uma faixa na qual denunciam as represálias que estariam sofrendo os controladores que reclamam das condições de trabalho. Na faixa, as manifestantes escreveram: "Cerca de dez controladores foram presos e cerca de 30 foram afastados, vítimas do abuso de poder. Eles foram punidos porque falaram a verdade".