Título: Zuanazzi: "O apagão acabou"
Autor: Oliveira, Eliane
Fonte: O Globo, 05/09/2007, O País, p. 3

Presidente da Anac nega caos; Congonhas tem 2º dia com 20% dos vôos cancelados.

Pelo segundo dia consecutivo, 20% dos vôos que partiriam ontem do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, foram cancelados. Segunda-feira, havia ocorrido o mesmo, além de atrasos nos vôos. Ainda assim, o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, afirmou ontem que não há mais crise no setor aéreo. Ao participar de reunião do Conselho Nacional de Turismo, em Brasília, Zuanazzi disse que o apagão aéreo terminou em 23 de junho (um mês antes, portanto, do acidente com o avião da TAM). Ele assegurou que quem for viajar de avião no feriado de 7 de Setembro não vai enfrentar problemas de atrasos ou cancelamentos.

- O apagão acabou no dia 23 de junho. Além disso, os indicadores das últimas semanas são excelentes. Se não tivermos problema no tráfego aéreo, não haverá motivos para atrasos e cancelamentos de vôos - disse Zuanazzi, insinuando que a crise foi motivada apenas pelo problema com os controladores de vôo.

Assessores da Anac explicaram que em 23 de junho entraram em vigor medidas disciplinares tomadas pelo Comando da Aeronáutica, incluindo o afastamento de 14 controladores. Perguntado se os brasileiros poderão viajar tranqüilos, Zuanazzi respondeu:

- O brasileiro sempre pôde viajar tranqüilo. O brasileiro que anda de metrô sempre pode viajar tranqüilo, assim como quem anda de ônibus. Agora, se houver uma greve, aí surgem os problemas.

A Anac negou que os problemas nos aeroportos, especialmente o de Congonhas, permaneçam nos mesmos níveis de 40 dias atrás, quando tomou posse o ministro da Defesa, Nelson Jobim. O desconforto vivido pelos passageiros, afirma a Anac, deve-se a deficiências na infra-estrutura aeroportuária. Em São Paulo, a Infraero, responsável pela infra-estrutura aeroportuária, disse que os problemas nos cancelamentos de vôos são de responsabilidade das empresas.

A Anac disse que divulgará hoje os dados relativos a julho, que mostram que, em comparação a 29 de setembro de 2006, quando houve o acidente com o Boeing da Gol, os índices de atraso (12%) e de cancelamentos (10%) caíram pela metade.

"Ninguém vai me enxovalhar", diz

Zuanazzi não comentou o relatório da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), que representa as principais companhias do mundo. Divulgado segunda-feira, o documento põe em xeque as condições de segurança da aviação no Brasil e afirma que a crise do setor ainda vai demorar. Ele disse ter sido informado sobre o documento ontem, pelos jornais.

- Ainda não li o relatório.

A Força Aérea Brasileira desqualificou o documento. A Aeronáutica disse que sua avaliação preliminar é de que a Iata não apontou as fontes de consulta para os números apresentados. Os militares também reclamaram que não usam como indicador o item "perdas totais por milhão de setores voados". Segundo a FAB, os resultados acabaram distorcidos, pondo o Brasil em posição inferior a outros países da América Latina, como Colômbia, Peru e Venezuela, porque a Iata fez um levantamento sobre a perda total de jatos ocidentais, sendo que esses países usam aviões russos, e por isso não se enquadram na pesquisa e são beneficiados nas estatísticas.

Zuanazzi afirmou que não se sente pressionado a deixar o cargo, apesar da crise na agência que já culminou com o afastamento de dois diretores: Denise Abreu e Jorge Luiz Brito Velozo. E assegurou que são normais suas relações com o ministro da Defesa, Nelson Jobim:

- Ninguém vai me enxovalhar. Ninguém vai dizer a hora em que tenho que sair. Do ponto de vista das relações institucionais, eu não me sinto pressionado por ninguém. Estou absolutamente tranqüilo, trabalhando e fazendo o que a gente tem de fazer. Eu tenho um mandato.