Título: Governo admite que carga é alta mas diz não ter como abrir mão de receita
Autor: Paul, Gustavo e Batista, Henrique Gomes
Fonte: O Globo, 23/08/2007, Economia, p. 30

Dilma afirma que peso de impostos aumentou porque economia cresceu.

BRASÍLIA. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, admitiu ontem que a carga tributária está muito elevada, mas advertiu que o governo não tem condições de abrir mão, imediatamente, de um volume grande de arrecadação por intermédio de desonerações. Com o aumento crescente dos gastos públicos, a redução dos impostos traria desequilíbrio às contas públicas. A carga tributária atingiu 34,23% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de riquezas geradas pelo país) em 2006, batendo o recorde histórico, 0,85 ponto percentual acima do registrado em 2005.

- Todos consideramos que o país tem uma carga tributária alta e queremos fazer um esforço para que ela gradativamente diminua. Estou falando gradativo, porque em alguns casos vejo um discurso meio aventureiro, achando que podemos simplesmente tirar R$30 bilhões a R$40 bilhões do orçamento. Temos de fazer isso de maneira negociada e gradativa e com isso vamos aproveitar o excelente momento em que vivemos - afirmou o ministro, durante o seminário "Obstáculos e soluções para o desenvolvimento da infra-estrutura", organizado pela Associação Brasileira da Infra-estrutura e Indústrias de Base (Abdib).

"Não houve aumento da carga", acredita Dilma

No mesmo evento, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, negou que os números apresentados pela Receita Federal na véspera signifiquem um aumento da carga de impostos. O aumento da arrecadação, destacou, decorreu do crescimento da economia e não do aumento das alíquotas dos impostos e contribuições pagos pelos brasileiros e as empresas.

- Não houve aumento da carga tributária. (A arrecadação) cresceu por causa do PIB pois não temos aumentado tributos - informou Dilma, repetindo o discurso oficial, adotado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Ainda assim, até o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, concordou que o volume de impostos cobrados no país está elevado. O ministro disse aos empresários presentes ao evento da Abdib que esse é outro item no qual o país perde para seus principais concorrentes.

- A carga tributária é muito alta. Nos mercados emergentes, como China, Rússia e Chile, a taxa cobrada é a metade - afirmou.

Os empresários presentes criticaram o volume de impostos cobrados no país e defenderam um plano de ação do governo para reduzir a carga tributária. Presidente do Conselho de Administração do Grupo Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, voltou a defender que seja estabelecido um cronograma para redução da carga, o que implica na adoção de um teto para a expansão das receitas do governo como proporção do PIB.

- Um dos pontos mais importantes é que nossa carga tributária está elevada e precisamos estabelecer metas para reduzi-la - disse o empresário para os ministros Dilma Rousseff e Paulo Bernardo.

Os empresários também ressaltaram a importância da aprovação da Lei das Agências Reguladoras, em tramitação no Congresso, como uma forma de fortalecê-las e melhorar o ambiente de negócios no país.