Título: FMI pode rever projeções de expansão mundial
Autor: D'Ercole, Ronaldo
Fonte: O Globo, 23/08/2007, Economia, p. 32
Previsão cairia para abaixo de 5% devido à crise nos mercados internacionais, segundo diretor-gerente do Fundo.
SÃO PAULO. O diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rodrigo de Rato, afirmou ontem que a instituição poderá revisar suas projeções sobre o crescimento da economia mundial por causa da recente turbulência nos mercados financeiros internacionais, gerada pela crise no mercado de crédito imobiliário dos Estados Unidos. Há menos de um mês, o Fundo divulgou suas estimavas, com taxas de crescimento próximas de 5% para a economia global neste e no próximo ano.
- É possível que nossa previsão de crescimento global seja revisada, mas não de forma dramática, para algo ligeiramente abaixo de 5% - afirmou Rato, em entrevista ontem em São Paulo.
De qualquer forma, ressaltou, em 2007 a economia mundial viverá o sexto ano de expansão importante. Embora ainda seja cedo para saber exatamente qual será o saldo da crise, em sua avaliação, os ajustes e correções em curso nos preços dos ativos nos mercados mundiais terão impactos distintos nas economias de cada país.
- Consideramos que a economia mundial mantém um bom ritmo, mesmo diante das recentes perturbações dos mercados financeiros. Os parâmetros fundamentais das economias, tanto dos países industrializados como da maioria das economias dos países emergentes, continuam sendo boas, em termos de inflação, de perspectivas de crescimento, de balança de pagamentos bem como dos perfis de suas dívidas - disse ele.
Sobre a situação do Brasil especificamente nesse contexto, Rato destacou que, com a inflação controlada e a dívida pública em queda, o país tem condições de manter um crescimento sustentado da economia, apesar da crise.
- Há dez anos, uma crise na economia da Rússia afetou o Brasil de maneira muito forte. Hoje isso não ocorre e mostra que os avanços macroeconômicos foram muito importantes para o país - afirmou.
Bancos centrais têm papel estratégico, diz Rato
Rato destacou ainda que, diferentemente de crises anteriores, as correções na economia mundial ocorrem num momento mais favorável. Segundo ele, as inovações no sistema financeiro e o avanço da globalização, além de terem permitido o maior ciclo de expansão econômica mundial em 40 anos, criaram mecanismos de governança que agora devem ajudar a minimizar os efeitos da crise.
- A credibilidade da política monetária foi um grande avanço na governabilidade de muitos países, e, sem a governança dos bancos centrais, hoje estaríamos em uma situação muito difícil - disse o diretor-gerente do Fundo, que hoje reúne-se em Brasília com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Rato insistiu em salientar o papel estratégico que os bancos centrais estão desempenhando no momento atual.
- Tenho que dizer que os bancos centrais têm atuado nas duas últimas semanas de uma maneira decisiva e acertada para garantir liquidez aos mercados, e o Fundo reconhece esses acertos - afirmou.
Rato visitou a organização não-governamental Cidade Escola Aprendiz, que tem uma oficina de restauração de instrumentos.