Título: Lei Seca: ritmo de queda de acidentes diminui
Autor: Weber, Demétrio
Fonte: O Globo, 23/09/2008, O País, p. 15

Número de acidentes fatais é maior do que nos primeiros meses de vigência; PRF alerta para falta de fiscalização

Demétrio Weber

BRASÍLIA. Três meses após entrar em vigor, a Lei Seca começa a perder força na redução de acidentes fatais nas estradas do país. Balanço divulgado ontem pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) mostra que o número de colisões com mortes caiu 8% no último trimestre, em comparação com o mesmo período de 2007. Esse índice era de 13,6% no balanço anterior, que comparava apenas os dois primeiros meses de vigência da lei.

A desaceleração acendeu o sinal amarelo da PRF. Em nota, a polícia alertou para a falta de fiscalização no interior do país, especialmente nas pequenas cidades. Para a PRF, é hora de os demais órgãos de trânsito - especialmente Detrans, Polícias Militares e guardas municipais - atuarem com mais vigor.

O maior receio é que a Lei Seca, apesar dos bons resultados iniciais, caia no esquecimento, a exemplo de outras tantas leis, inclusive a legislação anterior que já previa punições a motoristas embriagados e simplesmente não era aplicada.

- Este é o momento em que mais se exige resultados - disse o inspetor Alexandre Castilho, assessor de comunicação da PRF.

O balanço considera dados de 20 de junho de 2008, quando a Lei Seca entrou em vigor, até 20 de setembro. Nesses três meses, foram registrados 1.351 acidentes com mortes ao longo dos 61 mil quilômetros de estradas federais. Ou seja, 118 colisões fatais a menos (-8%) que as ocorridas no mesmo período de 2007, quando 1.469 acidentes resultaram em óbito.

Nos primeiros três meses da nova lei, 2.797 motoristas foram multados em R$955 por dirigir sob o efeito de bebidas alcoólicas. Desse total, 1.756 acabaram presos em flagrante por apresentarem níveis de álcool acima de 0,6 grama por litro de sangue. Todos deverão ter a carteira cassada por um ano.

O que revela a redução do ritmo de queda de acidentes fatais é a análise dos dados referentes aos dois primeiros meses de vigência da lei. De 20 de junho a 19 de agosto, a diminuição foi de 13,6%, em relação ao mesmo período de 2007 - de 998 para 862, em números absolutos. O professor de engenharia de tráfego da Universidade de Brasília (UnB), Paulo Cesar Marques da Silva, teme que a lei perca eficácia e defende maiores investimentos em ações de educação:

- As pessoas começam a achar um jeitinho de driblar a fiscalização. Descobrem onde raramente tem blitz e é por ali que vão. É preciso trabalhar mais com ações educativas.