Título: Exportador: vendas até 15% menores
Autor: Galhardo, Ricardo
Fonte: O Globo, 05/10/2008, Economia, p. 42

Setor mira mercado interno. AEB prevê perda de US$13 bi, após 9 anos de alta.

Com a piora da crise americana e a desaceleração da economia mundial, exportadores brasileiros decidiram rever mais uma vez suas projeções para 2009. A conclusão é que a redução da demanda de economias desenvolvidas - principalmente EUA e Europa - afetará os embarques em até 15%, com escassez de crédito e alta do dólar. A solução está dentro de casa, com o redirecionamento para o mercado doméstico.

A lógica é simples: embora deva crescer menos em 2009, o Brasil ainda deverá ter crescimento acima da média mundial. A Braskem, fabricante de matéria-prima para a indústria de plásticos, prevê queda de 15% nos embarques - de 400 mil toneladas previstas em 2008 para 350 mil toneladas em 2009.

- A piora da crise afetará o consumo lá fora. A tendência é de queda nas exportações. Por outro lado, o Brasil continua com crescimento ainda forte - diz Ulisses da Silva, gerente de Negócios da Braskem.

A CSN estima que as exportações representarão apenas 5% das vendas da siderúrgica em 2009. Em 2007, os embarques foram 33% das 5,38 milhões de toneladas vendidas. Em 2008, a fatia exportada já caiu para 8%.

Segundo Manuel Alvarez, gerente comercial de Exportação da CSN, o foco da empresa será o mercado doméstico:

- Vamos exportar o mínimo necessário apenas para manter presença internacional.

Cálculo prévio da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) indica que as exportações brasileiras deverão cair, no mínimo, 7% em 2009, dos US$197 bilhões de 2008 para US$184 bilhões, a primeira queda após nove anos de crescimento.

Segundo o vice-presidente da AEB, José Augusto de Castro, o acesso ao capital estrangeiro está mais caro e praticamente fechado desde setembro, o que também pode afetar as exportações: o crédito à exportação pego lá fora, que custava de 4% a 4,5% do valor vendido, passou para taxas de 15%, em média.

O aumento do custo do crédito já afeta exportadores, segundo dados do Banco Central. O Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC) - instrumento de crédito a exportações composto basicamente por recursos do exterior - ficou quase estável no ano até agosto, embora as exportações tenham crescido 27,7% no período. Com menos crédito de fora, empresas recorrem mais ao BNDES. No ano até agosto, os recursos liberados aos exportadores cresceram 31%, frente a igual período de 2007, para US$3,4 bilhões.