Título: São Luís: Castelo e Dino no 2º turno
Autor: Gois, Chico de
Fonte: O Globo, 06/10/2008, O País, p. 28
Família Sarney sai fortalecida ao optar por apoio pulverizado; governador e prefeitos, ambos do PDT, racharam
BRASÍLIA. O racha entre o governador Jackson Lago e o prefeito Tadeu Palácio, ambos do PDT, propiciou a realização de segundo turno em São Luís. O deputado federal e ex-juiz Flávio Dino (PCdoB) obteve quase 35% dos votos válidos e disputará com João Castelo (PSDB), que somou 43%. Os dois concorrem à prefeitura pela primeira vez. Castelo já foi senador, governador e quatro vezes deputado federal, além de já ter concorrido à prefeitura de São Luís com o apoio de Lago. O candidato do prefeito Tadeu Palácio, o ex-secretário de governo Clodomir Paz, não conseguiu avançar e obteve menos de 10% dos votos.
O resultado do primeiro turno também expôs a tática vitoriosa da família Sarney, que incentivou várias candidaturas para obrigar um segundo turno - e não fez campanha para ninguém. Teoricamente, o candidato oficial da família seria Gastão Vieira, do PMDB - partido do senador José Sarney e da senadora Roseana Sarney.
Só que Gastão ficou em quarto lugar na disputa, com 1,97% dos votos. Ele se saiu pior do que Raimundo Cutrim (DEM) e Cleber Verde (PRB), que ficaram com 4,5% e 4% respectivamente.
Dino é deputado federal de primeiro mandato. Na reta final de campanha, ele contou com um influente apoio, o do presidente Lula. Seu crescimento foi vertiginoso: ele saiu de 4% das intenções de voto, há cerca de um mês, para 34% dos votos.
A candidatura do ex-secretário de governo da prefeitura, Clodomir Vaz, foi marcada por uma queda-de-braço entre o prefeito, que o apoiava, e o governador, que queria outro nome e acabou optando por João Castelo. O PDT governava a cidade desde 1997, quando elegeu Lago.
Morte no interior do estado
No município de Bom Lugar, a 230 quilômetros de São Luís, uma troca de tiros entre correligionários dos candidatos à prefeitura Rogério Pitbull (PP) e Sérgio Miranda (PRTB) acabou com três pessoas feridas e duas pessoas mortas, entre elas o irmão de Pitbull, Cristiano Costa. Entre os feridos está um soldado da PM.
O policial comandava o tiroteio ao lado dos aliados de Miranda, candidato apoiado pelo atual prefeito Marcos Miranda, inimigo político de Pitbull desde a eleição de 2004, quando os dois disputaram a prefeitura do município. O confronto aconteceu depois que o PM e mais três pessoas foram interceptados, pela manhã, no meio da estrada por dois carros ocupados por correligionários de Pitbull.