Título: Marina Silva contraria decisão do PT do Rio e anuncia apoio a Gabeira
Autor: Otavio, Chico; Franco, Bernardo Mello
Fonte: O Globo, 11/10/2008, O País, p. 4
Ex-ministra diz que tem parceria com candidato do PV "há mais de 20 anos".
RIO e BRASÍLIA A senadora petista Marina Silva, um dos símbolos da luta ambiental no Brasil, anunciou ontem apoio ao candidato do PV a prefeito do Rio, Fernando Gabeira, e disse estar disposta a aparecer no programa eleitoral e participar de ato de campanha na cidade - apesar de o PT do Rio apoiar oficialmente o adversário de Gabeira, Eduardo Paes (PMDB).
Gabeira anunciou a adesão de Marina, em corpo-a-corpo em Jacarepaguá, como o principal fato do dia. Mas, apesar da oferta, disse que ela não aparecerá em seu programa eleitoral:
- Além de dar a declaração de apoio, Marina Silva articula um manifesto dos ecologistas em Brasília. Tomei a iniciativa de ligar para ela, mas, diferentemente de (Oscar) Niemeyer, não vai aparecer no programa.
Entre os motivos da adesão a Gabeira, Marina citou a parceria na causa ecológica e a amizade de mais de 20 anos.
- Compreendo a posição do partido, mas me sinto inteiramente à vontade para manifestar meu apoio a Gabeira. Seria uma contradição com a minha trajetória não apoiá-lo - disse Marina, que comunicou sua decisão ao presidente do PT, Ricardo Berzoini. - Vou ser porta-voz de uma tendência, não de uma dissidência. E acredito que essa tendência será majoritária.
Minc, amigo de Gabeira, calado por gratidão a Cabral
Deputado estadual licenciado, o sucessor de Marina no Ministério do Meio Ambiente, Carlos Minc, permanece em cima do muro no segundo turno, constrangido por ligações com os dois candidatos. O ministro é amigo de Gabeira e o apóia desde a campanha ao governo do estado, em 1986. Em dobradinha em 2002, Minc pediu votos a bordo do Gabeirão, jipe usado pelo candidato verde na disputa pela prefeitura. Mas o petista tem dívida de gratidão com o padrinho político de Paes, o governador Sérgio Cabral (PMDB), que o indicou para o ministério.
Embora a direção regional do PT já tenha avisado que quer o ministro no programa eleitoral do peemedebista, ele tem evitado declarar seu voto. Segundo a assessoria de Minc, ele tende a seguir a orientação partidária:
- Em breve vocês vão saber a minha posição.
Ao tomar conhecimento de que Jandira Feghali, no ato de apoio do PCdoB a Paes, o chamou de preconceituoso, Gabeira procurou evitar polêmicas:
- Não respondi a Jandira durante o primeiro turno e pretendo manter o mesmo espírito de fraternidade com ela no segundo turno. Se você examinar pura e simplesmente o que ela falou do Eduardo Paes no primeiro turno, e agora vê-la ao lado dele, a possibilidade de um dia estarmos juntos é muito grande.
"Espero que Jandira futuramente se aproxime"
O candidato do PV lembrou que no primeiro turno Jandira fez críticas "muito mais profundas" a Paes, atacando-o por trocar de partido "como se trocasse de camisa", e agora o apóia.
- Não devemos nos precipitar com isso. Já que ela se aproximou dele, espero que, futuramente, se aproxime de mim.
Ao garantir que não mudará a estratégia de campanha, agindo com cautela diante de provocações e praticamente não negociando apoios partidários, Gabeira disse que não conversou com o senador Marcelo Crivella (PRB), que obteve 19% dos votos válidos no primeiro turno, sobre chances de apoio.
- Estou me dirigindo a todas as comunidades evangélicas em geral, afirmando meu compromisso com a luta ativa pela liberdade religiosa e o combate a qualquer tipo de intolerância.
Gabeira mostrou-se preocupado em enfrentar boatos supostamente espalhados por adversários.
- Vou dedicar algum tempo a desfazer boatos. Por exemplo, não vou acabar com feriado de Nossa Senhora Aparecida nem vou matar animais de rua. Os boatos surgem de todos os lados. Há uma campanha negativa contra a campanha, não sei de onde surgem esses boatos.