Título: Tarso elogia sentença contra Ustra
Autor:
Fonte: O Globo, 11/10/2008, O País, p. 14

Ministro diz que Estado tolerou e incentivou violência contra militantes.

SÃO PAULO. A sentença que declarou o coronel da reserva Carlos Alberto Brilhante Ustra como torturador deu o tom ontem à homenagem ao Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) em Ibiúna (SP), que, há 40 anos, resultou em prisões, torturas e na morte de 23 jovens. Na sede do antigo Dops de São Paulo, onde hoje é a Pinacoteca do estado, tucanos e petistas reuniram-se para lembrar os mortos pela ditadura, representados em painéis fotográficos.

- No caso dessa sentença, a memória e a verdade foram restabelecidas. O Estado brasileiro não só tolerou como incentivou atos de tortura naquela oportunidade - disse o ministro da Justiça, Tarso Genro.

Representando o governador José Serra, que já foi presidente da UNE, o vice-governador Alberto Goldman disse, em seu discurso, que era importante incentivar mais decisões como a do juiz que responsabilizou Ustra pelas torturas sofridas por Maria Amélia de Almeida Teles, seu marido, Cesar Teles, e sua irmã, Criméia de Almeida, em 1972. Ustra foi chefe do DOI-Codi entre 1970 e 1974.

O secretário nacional de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, também elogiou a sentença:

- A impunidade no Brasil começa a morrer. É um começo importante e feliz a coincidência com essa data marcante.

A família Teles a todo instante recebia felicitações dos participantes. Filha de Maria Amélia, a historiadora Janaína Teles, no entanto, se preocupa com o desdobramento das ações:

- Agora outras famílias têm de seguir na Justiça. Não só em relação ao Ustra, mas em relação a todos os casos de tortura. Nós não esquecemos, não perdoamos. Não queremos vingança, só justiça.

Entre as fotos do painel de jovens mortos pelo regime militar está o do jornalista Luiz Merlino, assassinado em 1971. A família dele entrou com uma ação nos mesmos moldes que a família Teles, contra Ustra. Mas o mesmo TJ de São Paulo votou pela extinção do processo, e os Merlino recorrem.