Título: Cai rentabilidade de fundos de pensão
Autor: Rangel, Juliana; Novo, Aguinaldo
Fonte: O Globo, 11/10/2008, Economia, p. 36

Sistema conseguiu metade da receita prevista entre janeiro e agosto.

BRASÍLIA. A crise vai prejudicar a rentabilidade dos fundos de pensão neste ano. Pela primeira vez desde 2002, eles não vão conseguir cumprir a meta atuarial - valor que a entidade precisa para pagar todos os compromissos com aposentadorias, se eles tivessem que ser pagos hoje. Segundo cálculos da Secretaria de Previdência Complementar do Ministério da Previdência, de janeiro a agosto, o sistema conseguiu a metade das receitas previstas no período.

Dos R$41 bilhões necessários, foram obtidos R$19 bilhões. Os fundos mais prejudicados pela crise foram os das estatais, que já perderam R$26,5 bilhões com a desvalorização dos ativos financeiros, de acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp).

- Neste ano, os fundos não vão conseguir cumprir a meta de rentabilidade - afirmou ao GLOBO o secretário de Previdência Complementar, Ricardo Pena.

As perdas, porém, não comprometem o pagamento das aposentadorias porque a maioria das entidades tem boas condições de liquidez e fluxo de caixa. É preciso uma sucessão de resultados ruins, por anos, para haver comprometimento.

Fundos mantêm planos de investimentos

Pena contou que a crise impediu ainda o Conselho Monetário Nacional de flexibilizar as regras de aplicações dos fundos de pensão (renda variável, fixa, imóveis e empréstimos para participantes), de acordo com o perfil do plano. Com as mudanças, os fundos poderiam começar a investir até no exterior.

Os R$19 bilhões obtidos pelos fundos correspondem a uma rentabilidade de 4,35%, de uma meta de 9,25%, entre janeiro e agosto. Em 2007, as entidades superarem a meta de 11,46%: a rentabilidade foi de 22,82%.

Segundo a Abrapp, o sistema, formado por 350 entidades de previdência, perdeu de janeiro a setembro R$37,8 bilhões, de um ativo total de R$160 bilhões aplicado em renda variável. Só a Previ (de funcionários do Banco do Brasil), maior fundo do país, registrou prejuízo de R$15 bilhões de maio a setembro.

Mendonça lembrou que, a partir de agora, os fundos de pensão terão que descontar do superávit valores aplicados na Bolsa acima dos limites previstos, na hora de distribuir a receita extra. A Previ, por exemplo, tem aplicado em ações 65% dos seus recursos, o limite é 50%.

O diretor de Investimentos da Previ, Fábio Moser, disse que o fundo tem tempo para recuperar as perdas, pois investiu em empresas sólidas. O presidente da Petros, Wagner Pinheiro, afirmou que empreendimentos e projetos continuam sendo avaliados. A Petros, disse, planeja investir no setor de infra-estrutura R$1,15 bilhão até meados de 2009. Guilherme Lacerda, presidente da Funcef, planeja aplicar na mesma modalidade R$1,2 bilhão em um ano. A crise, disse, pode ser oportunidade, pois os fundos de pensão têm liquidez.