Título: Grupo Petrobras perde R$143 milhões com câmbio
Autor: Rangel, Juliana; Novo, Aguinaldo
Fonte: O Globo, 11/10/2008, Economia, p. 36

Operações no mercado futuro levam Votorantim a assumir baixa de R$ 2,2 bi. Embraer também comunica prejuízo.

RIO e SÃO PAULO. Depois de Sadia e Aracruz, ontem foi a vez de a Petrobras anunciar que algumas de suas subsidiárias no exterior e a BR Distribuidora tiveram perdas com operações no mercado futuro de câmbio, que somam cerca de R$143,5 milhões. Por meio dessas operações, as empresas apostam em uma cotação do dólar no futuro, sob alegação de protegerem sua receita ou despesa da variação da moeda. Com a alta recente do dólar, algumas companhias que não contavam com esse movimento foram pegas de surpresa.

A Votorantim e a Embraer também anunciaram ontem prejuízos com o dólar no mercado futuro. O grupo Votorantim, que tem capital fechado e é controlado pela família Ermírio de Moraes, reconheceu ter perdido R$2,2 bilhões para eliminar "totalmente sua exposição cambial decorrente de operações de swap com verificação em dólar" - um sofisticado instrumento financeiro que prevê teto para o preço do dólar. Se a taxa ficar abaixo do estabelecido, não há perdas ou ganhos. Mas se o dólar sobe (como foi o caso), a empresa que assinou o contrato tem de pagar a diferença.

"O Grupo Votorantim reitera expressa e publicamente que foi totalmente eliminada sua exposição cambial", disse a empresa em nota.

Já a Embraer divulgou nota, no fim da noite, informando despesas de R$178 milhões com ajustes de posições no mercado de derivativos. A empresa diz que não investiu mais do que precisava para se proteger da variação cambial. E diz ainda que a perda é compatível com o seu volume de receitas e despesas.

A Petrobras, no comunicado a investidores, explicou que a BR faz operações de hedge (proteção cambial) para cobrir a comercialização de querosene de aviação (QAV), cujos preços variam com o do petróleo no mercado internacional. Segundo a empresa, as operações já resultaram em perdas de R$51 milhões, que podem ser compensadas pela receita maior com o QAV, devido à alta do dólar.

No exterior, a Petrobras explicou que tem operações de câmbio nas bolsas de Nova York, Londres e no mercado de balcão (fora do ambiente de bolsas). Essas transações, afirmou, provocaram perdas de US$40 milhões (ou R$92,56 milhões). A empresa alega que, neste caso, o volume que investiu é inferior a 35% do total de cargas físicas que as empresas do grupo movimentam no exterior".

A Petrobras garante que a holding não tem contratos no mercado futuro e que apenas possui dívidas e receitas sujeitas à variação do dólar. Em 30 de junho, os passivos totais somavam R$18,9 bilhões, e os ativos R$26,9 bilhões. De acordo com a companhia, o volume líquido exposto a variações cambiais era de R$7,7 bilhões, "o que indica que, em cenário de valorização do dólar, a companhia tende a realizar ganhos com valorizações cambiais", disse.

Dilma diz que governo não ajudará empresas

No dia 25 de setembro, a Sadia assumiu prejuízo de R$760 milhões. E a Aracruz anunciou prejuízo de R$1,95 bilhão até setembro. Por causa das perdas, ontem, a agência de classificação de risco Standard & Poor"s comunicou ter rebaixado a nota de crédito de longo prazo da Aracruz de BBB para BBB-.

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou ontem que o governo não tem planos de ajudar empresas com problemas causados pela alta do dólar:

- O governo não pretende socializar perda nenhuma e nem foi procurado por nenhuma empresa para isso - disse Dilma, depois de participar do encerramento do 3º Fórum de CEOs Brasil-EUA, em São Paulo.