Título: Dólar cai 7% e volta a valer R$2,14
Autor:
Fonte: O Globo, 14/10/2008, Economia, p. 21

BC já lucrou mais de R$1,7 bi com venda de reservas ao mercado.

O otimismo que tomou conta do mercado financeiro ontem também se refletiu no mercado de câmbio. O dólar abriu o dia em queda de mais de 5% e encerrou a segunda-feira a R$2,145, ou 17 centavos a menos do que na sexta e com desvalorização expressiva de 7,30%, na menor cotação do dia.

Depois de o dólar atingir algumas vezes o limite de alta diária nos contratos negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) na semana passada, ontem a BM&F decidiu ampliar o limite de queda para o dólar futuro, de 6% para 8%. O contrato para novembro, o mais negociado, encerrou o dia em queda de 5,99%, a R$2,1885.

Com a recuperação do real no dia, o Banco Central (BC) não precisou vender dólares à vista de suas reservas, como vinha fazendo desde quarta-feira. No entanto, vendeu US$495 milhões em seu leilão de swaps cambiais, contratos em que oferece a variação da moeda americana em troca de uma taxa de juros. A autoridade monetária havia oferecido ao mercado cerca de US$1,750 bilhão. Ontem à noite, o BC informou que vai oferecer mais cerca de US$1,260 bilhão em swaps cambiais hoje.

Fundos da Galleas e da Mellon têm dificuldades

Os dados divulgados pelo BC sobre as reservas cambiais apontam uma redução de US$3,507 bilhões entre os dias 6 e 10 de outubro, quando a autoridade voltou a vender dólares sem compromisso de recompra. No entanto, como são dólares que a instituição veio comprando quando a moeda estava abaixo ainda de R$1,80, se o BC teve um ganho de R$0,50 por dólar, teve lucro de aproximadamente R$1,750 bilhão nessas operações.

Para o diretor-executivo de câmbio da NGO Corretora, Sidnei Nehme, a pressão sobre o dólar tem diminuído à medida que empresas que tiveram perdas com a valorização da moeda liquidam suas operações e não precisam mais comprar a divisa à vista ou no mercado futuro. Mas ele avalia que novas empresas devem apresentar perdas no mercado futuro de dólar.

Mais fundos de investimento brasileiros estão sendo vítimas da crise financeira internacional. A EM Capital Management anunciou ontem o fechamento de dois de seus fundos: Galleas 90 e Galleas Partners I. E convocou os cotistas para uma assembléia no dia 28, quando será definido o destino dos investimentos. Já a Mellon Global Investments fez uma provisão de perdas de até 90% em papéis do Lehman Brothers que compõem a carteira do Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado Navigator, um fundo exclusivo com um único cotista.

Em seu site, a EM explica que o foco do Galleas são ações de empresas pouco conhecidas. E diz que o objetivo é se antecipar às reestruturações operacionais ou financeiras. E acrescenta que faz isso ao ser "pioneiro" ou "mais competente" na análise de valores mobiliários. Os fundos estão sob responsabilidade do gestor Marcos Elias, que ganhou vários prêmios como analista de ações. Na última sexta, a cota do Galleas Partners I caiu 6,18%. No mês, as perdas chegavam a 29,90%, subindo para 39,32% no ano.

A Vale anunciou ontem à noite um programa de recompra de ações a ser submetido ao conselho no dia 16. Diante do alto número de recompras, a Bolsa comunicou que irá conceder prazo de 18 meses para as companhias em níveis especiais de relações com o mercado se ajustarem à exigência de manter, no mínimo, 25% de seus papéis em circulação.