Título: EUA comprarão participação em nove bancos
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Fonte: O Globo, 14/10/2008, Economia, p. 21

Governo dos Estados Unidos vai detalhar hoje como usará até US$250 bilhões de plano aprovado pelo Congresso.

NOVA YORK. O governo americano deve detalhar hoje o plano de resgate financeiro para usar até US$250 bilhões dos US$700 bilhões aprovados pelo Congresso, segundo fontes da CNN. De acordo com o "Wall Street Journal", o dinheiro será usado para comprar participações em nove grandes instituições financeiras. O plano prevê ainda que o FDIC, órgão que assegura os depósitos bancários nos Estados Unidos, garanta temporariamente os empréstimos interbancários, que secaram após o colapso do Lehman Brothers e são essenciais para as operações diárias das companhias. As propostas são parte de um novo esforço para restaurar a confiança do sistema bancário, após a reação positiva dos mercados financeiros às medidas anunciadas por governos europeus.

De acordo com o "New York Times", o secretário do Tesouro, Henry Paulson, informou aos banqueiros ontem à tarde qual seria o investimento em cada uma das instituições. O Citigroup e o JPMorgan receberão US$25 milhões cada; Bank of America e Wells Fargo, US$20 bilhões cada; Goldman Sachs e Morgan Stanley, US$10 bilhões cada; Bank of New York Mellon e State Street, de US$2 bilhões a US$3 bilhões cada. O Wells Fargo deve receber adicionalmente US$5 bilhões pela aquisição do Wachovia, o mesmo montante destinado ao Bank of America pela aquisição do Merrill Lynch. Não foi informado o nome da nona instituição.

Nem todos os nove bancos estariam satisfeitos com o movimento, mas concordaram sob pressão do governo, de acordo com o "Journal".

Segundo a CNN, o presidente George W. Bush deve fazer um pronunciamento às 9h05m. Pouco depois, às 9h30m, haveria um pronunciamento conjunto do secretário do Tesouro, Henry Paulson, e dos presidentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, do FDIC, Sheila Bair, e da Securities and Exchange Commission (SEC, o órgão regulador dos mercados acionários dos EUA), Christopher Cox.

Mitsubishi UFJ muda termos de compra do Morgan

Entre as medidas que seriam anunciadas hoje, segundo o "Wall Street Journal" estariam também a extensão temporária de garantias de depósitos bancários em novos fundos, por até três anos, e o aumento do limite de garantias para contas bancárias sem o pagamento de juros, o que iria além do limite de US$250 mil definido há duas semanas. A proposta aproximaria os EUA de outros países europeus, que garantiram depósitos bancários sem limites.

A presidente da Câmara dos EUA, a democrata Nancy Pelosi, afirmou ontem que os democratas vão propor um novo pacote de estímulo "para reconstruir a América" e "ajudar a classe média". O plano, estimado em US$150 bilhões, teria medidas como ajuda aos estados em temas como saúde, alimentação e desemprego.

O Mitsubishi UFJ Financial Group informou ontem que reviu a proposta de compra da participação de 21% do Morgan Stanley para termos mais favoráveis, depois que o governo dos EUA ofereceu apoio ao investimento do banco japonês.

Segundo o "New York Times", a proteção do Tesouro seria a garantia de que a fatia do Mitsubishi no Morgan não seria diluída. A participação, comprada por US$9 bilhões, será agora na forma de ações preferenciais, ante acordo inicial que previa que uma parte do investimento seria em ações ordinárias. A notícia fez as ações do Morgan fecharam em alta de 87% ontem.